Foto: ChatGPT
O masculino e a figura do “machinho” na política e na sociedade será o motivo central de um dos meus livros a serem publicados em 2027, pela Editora Patuá. Nele faço uma reflexão sobre as condições de captura das mentes dos homens nesse início de século no Brasil, e como esse cenário está contribuindo para a destruição do país. Reflito aqui com vocês três elementos que contribuem para isso. Vejamos se concordam. (se você for homem, fique tranquilo: pode não ser sobre você…)
- O voto masculino na extrema direta. Trata-se de uma consolidação, um aspecto incontestável. O homem é o eleitor em si definidor das grandes vitórias de governos extremistas pelo mundo, e permanecem como a base do eleitorado desses políticos e partidos. E isso se deve a quê? Aponto aqui a estética e a própria lógica de poder desses grupos, que privilegiam elementos de virilidade e força masculina, sempre com a escolha de um inimigo. Logo, se tem um inimigo a combater, o homem está na linha de frente. Orgulhoso. Viril. Alfa. Alaranjado. Trump fez isso na condução do MAGA. Bolsonaro também, no Brasil, até mesmo pela estética das motociatas e pela lógica de violência que circulou na demanda armamentista. O eleitor masculino circula em si um fetiche pela figura do líder salvador, pelo Mito. E isso tem atraído homens em potencial. O Legendários sacou isso e está fazendo fortunas com o “desejo” e “instinto” masculino.
- A exploração do ressentimento masculino. Esse deriva-se de acentuar as crises em torno do ideal de liberdade, focando na extrema-direita a solução para cada um desses aspectos. Seria como mostrar ao alvo (eleitor e/ou fanático) que tudo que está acontecendo de ruim na sua vida tem a ver com o “sistema”. As crises, o desemprego, a perda do poder de compra e a liberdade de expressão que, supostamente, ele não tem mais. E aí vem o homem salvador novamente. O alfa, o lobo, o caçador, para defender a família, a pátria, a liberdade. O de sempre. O homem é um alvo fácil para se explorar o ressentimento e a frustração, pois nem mesmo foi criado para lidar com essas condições. E, portanto, explorar o seu ressentimento é mais fácil do que domesticar um cãozinho para pular e rolar. A internet é o biscoito.
- A política como masculina. Talvez o mais grave. Sabemos que historicamente os homens foram criados para se tornarem seres políticos, caçadores, animais da vida pública. À mulher, o espaço doméstico e privado. Até aqui nenhuma novidade. Mas acredito que depois do caso Vorcaro-Master no Brasil, isso chegou ao limite. Vorcaro comprou o homem brasileiro! Disso não há dúvidas. Não apenas com dinheiro, corrupção, benesses e luxo, desde uísques a charutos, passando por apartamentos e jatinhos, mas também com prostitutas, festas regadas a sexo libertino e plural, orgias, e todo o pacote surubeiro. Pacotes para quem? Para homens. A rede Master de absorção de interesses e benefícios para ele próprio, o Daniel Vorcaro, fora montada para homens poderosos de 40 a 60 anos, alguns já broxas, inclusive. Uma rede para atrair os seus mais insanos e abafados interesses por putas, surubas e dinheiro, reitero, de jatinhos a ucranianas. O Brasil dos homens e dos porcos de meia idade.
São esses homens que estão, ainda, comandando o Brasil. Negar que existe uma política masculina e corrupta nesse país é negar o óbvio. E não me venha com o papo: “você está dizendo que não existe mulher corrupta? Que papo é esse?” Haja paciência…
Não, não é isso querubim da motociata… Coloque o cérebro para funcionar!
Estou dizendo com clareza que a rede de corrupção no Brasil inclui em quase sua totalidade uma macharada sem igual, todos conectados, misturados em uma lama de interesses e favores, desde ministros do Supremo que aceitam milhões para escritórios de advocacia das esposas, a ministros do próprio Supremo que recebem meio bilhão para a “turma do KN”, além de prostitutas com amarras e chicotes para explorar seus mais profundos desejos de uma transa performática, com óleos e cinta-liga, que não costumam ter em casa.
O homem brasileiro foi capturado. Salvemos aqueles que ainda estão se formando, os nossos filhos. Enquanto há tempo. Pois o seu filho de hoje, maratonando vídeos de redpill, de influencer de Bet e do Pablo Marçal, pode ser o Kássio Surubeiro de amanhã.