Foto: Divulgação /B3
O número de investidores menores de 18 anos em Minas Gerais cresceu 76% entre dezembro de 2022 e setembro de 2026, passando de 3.346 para 5.896 pessoas. Os dados são de um levantamento da B3, a bolsa de valores brasileira, que também aponta aumento do patrimônio aplicado por esse público em ativos de renda variável.
No período analisado, o valor investido pelos jovens mineiros passou de R$ 161,96 milhões para R$ 185,56 milhões, crescimento de 14,57%. Na comparação com dezembro de 2025, o avanço foi ainda maior: o patrimônio aumentou 51,08%, enquanto o número de investidores cresceu 21,44%, de 4.855 para 5.896.
Com esse resultado, Minas Gerais ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros com mais investidores menores de 18 anos na bolsa, atrás de São Paulo, com 23.474, e do Rio de Janeiro, com 6 mil. O estado concentra aproximadamente 9,7% dos 60,8 mil investidores dessa faixa etária no país.

Acesso à informação impulsiona interesse dos jovens
Para Ana Leoni, cofundadora da Bem Educação e CEO da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a familiaridade das novas gerações com o ambiente digital contribui para o crescimento do interesse pelo mercado financeiro.
Segundo a especialista, os jovens têm maior contato com conteúdos sobre finanças nas redes sociais, influenciadores do setor e serviços oferecidos por bancos digitais e fintechs. Nesse cenário, investimentos em ações, fundos de índice (ETFs) e fundos imobiliários podem despertar mais interesse por apresentarem características diferentes das aplicações tradicionais de longo prazo.
A superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3, Christianne Bariquelli, também relaciona o avanço ao maior acesso à educação financeira e à ampliação das alternativas de investimento.
Para ela, o movimento abre espaço para que as famílias abordem desde cedo temas como planejamento financeiro, escolhas conscientes e definição de objetivos para o futuro.
Investimentos de homens e mulheres
O levantamento da B3 também aponta diferenças na evolução dos investimentos entre homens e mulheres menores de 18 anos em Minas Gerais.

Entre dezembro de 2022 e setembro de 2026, o número de investidores masculinos passou de 2.125 para 3.751, alta de 76,52%. Entre as mulheres, o total aumentou de 1.221 para 2.145, crescimento de 75,68%.
Apesar de os homens continuarem concentrando a maior parcela do patrimônio aplicado, o valor investido pelas mulheres praticamente dobrou no período. O montante passou de R$ 26,18 milhões para R$ 52,22 milhões, avanço de 99,46%.
Já o patrimônio masculino recuou 1,79%, de R$ 135,78 milhões para R$ 133,35 milhões. Com isso, a participação feminina no patrimônio total investido por menores de 18 anos no estado subiu de 16,2% para 28,1%.
Ana Leoni avalia que fatores culturais ainda influenciam a relação das mulheres com o dinheiro e os investimentos. Historicamente, segundo ela, os homens receberam mais incentivo para assumir decisões financeiras, enquanto muitas mulheres ficaram responsáveis principalmente pelo orçamento doméstico.
A especialista observa, entretanto, que o acesso das gerações mais jovens a conteúdos de educação financeira pode contribuir para mudar esse cenário.
Reserva financeira ainda é um desafio para os jovens
Apesar do crescimento do interesse pelos investimentos, a construção de reservas financeiras continua sendo um ponto de atenção. De acordo com o Índice Planejar, pessoas de 18 a 24 anos obtiveram 34,6 pontos, em uma escala de zero a 100, no indicador de reservas e resiliência financeira — o menor resultado entre as dimensões avaliadas.
Em outros quesitos, os resultados foram mais elevados: gestão orçamentária (70,1 pontos), proteção e seguros (62,1), impacto do endividamento (50,8) e planejamento de longo prazo (42,3).
Para Ana Leoni, começar a investir cedo é positivo, mas não elimina a necessidade de organizar o orçamento, constituir uma reserva de emergência e controlar as dívidas.
A especialista destaca que a construção da independência financeira depende de hábitos consistentes ao longo do tempo. Embora os jovens tenham mais anos para acumular patrimônio, é necessário equilibrar os investimentos com a segurança financeira no presente.
Como investir em nome de crianças e adolescentes?
Segundo a B3, é possível realizar investimentos em nome de menores de 18 anos utilizando o CPF da própria criança ou adolescente, com acompanhamento dos representantes legais.
A abertura da conta deve ser feita em uma instituição financeira habilitada, mediante apresentação dos documentos exigidos pela corretora, incluindo a identificação dos responsáveis.
Com planejamento, aportes periódicos e reinvestimento dos rendimentos, aplicações iniciadas ainda na infância podem ajudar a formar patrimônio para objetivos futuros, como custear os estudos, realizar um intercâmbio, empreender ou iniciar a vida adulta com maior autonomia financeira.
*Com informações do Diário do Comércio