Festas de Agosto reafirmam tradição e identidade de Montes Claros

Foto: Divulgação/ Secretaria de Cultura de Montes Claros

Com 185 anos de história, celebração reúne catopês, marujos e caboclinhos, movimenta o turismo e transforma as ruas da cidade em um grande palco de cultura e fé

 

“Para o ano eu voltarei pra cumprir nova missão.” A música entoada por marujos, catopês e caboclinhos traduz o espírito das Festas de Agosto, uma tradição secular que, todos os anos, transforma Montes Claros em um grande espaço de celebração da cultura, da fé e da memória.

Em 2026, mais uma vez, a missão foi cumprida. Durante cinco dias, os grupos tradicionais percorreram as ruas da cidade para manter vivo um legado transmitido de geração em geração. Com cantos, danças, tambores, violas e vestimentas características, os cortejos levaram cores e sons ao centro de Montes Claros em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo.

Os cortejos seguiram em direção à Igrejinha do Rosário e à Praça da Matriz, onde também foram realizados os tradicionais levantamentos dos mastros, momentos marcados pela fé e pela espiritualidade.

Paralelamente à programação religiosa, a cidade recebeu atividades culturais na Praça da Matriz, incluindo shows musicais gratuitos, sessões de cinema, oficinas, apresentações de capoeira e exposições artísticas.

Tradição que atravessa gerações

Para Clayton Cruz, contramestre da primeira Marujada do Mestre Nenenzinho, as Festas representam um compromisso com a memória e com o futuro da cultura montes-clarense.

“Esse é um momento muito importante, tempo de honrar a memória dos nossos antepassados e de preservar a nossa cultura. É uma obrigação da nossa geração, que precisa passar esse legado para as gerações futuras”, destacou.

A celebração também atrai montes-clarenses que vivem fora da cidade e visitantes de diferentes regiões de Minas Gerais, de outros estados e até do exterior. Entre os nomes que retornaram a Montes Claros para participar da programação esteve a cantora norte-mineira Marina Sena, que acompanhou os cortejos e participou do levantamento dos mastros.

“Eles são o foco de tudo. São a verdadeira beleza da Festa”, afirmou a cantora ao destacar a importância dos grupos tradicionais.

Cultura movimenta a cidade

Durante o período das Festas de Agosto, Montes Claros também se transforma em um grande espaço de valorização da produção artística local. Para a artista plástica Fernanda Lima, que comercializou peças no espaço de souvenirs do Centro de Atendimento ao Turista (CAT), a celebração estimula o interesse pelo artesanato e pela arte produzida na cidade.

“As Festas de Agosto transformam a cidade em arte. As ruas ficam coloridas, fica tudo muito mais bonito. As pessoas voltam o olhar para a arte”, avaliou.

O Festival Folclórico, realizado paralelamente às festividades, também ampliou a programação cultural com apresentações de grupos folclóricos, capoeira e shows musicais.

Turismo e economia

Além de preservar tradições, as Festas de Agosto têm impacto direto no turismo e na economia de Montes Claros. A chegada de visitantes movimenta hotéis, pousadas, bares, restaurantes e outros segmentos do setor de serviços.

Para o visitante Luiz Fernando, de Belo Horizonte, que participou da celebração pela primeira vez, a experiência foi marcada pela diversidade e pela participação popular.

“É uma festa muito colorida e que tem a participação da população, dos artistas da cidade e uma estrutura muito legal para receber os turistas”, afirmou.

Com 185 anos de história, as Festas de Agosto seguem como uma das principais expressões da identidade cultural de Montes Claros. Ao lado do Festival Folclórico, que chega à sua 46ª edição, a celebração mantém vivas as tradições do passado enquanto abre espaço para artistas, produtores culturais e novas gerações.

Mais do que uma festa, os cortejos de catopês, marujos e caboclinhos reafirmam, ano após ano, a força de um patrimônio que permanece vivo nas ruas, na memória e no coração dos montes-clarenses.

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