Foto: Larissa Durães
O Acelen Agripark, centro de inovação da Acelen Renovável instalado em Montes Claros, completa um ano de operação com avanços tecnológicos que podem ajudar a transformar a macaúba em uma cultura de produção em escala comercial.
Principal destaque da estrutura localizada no município, a biofábrica robotizada tem capacidade para escarificar e germinar até 1,7 milhão de sementes de macaúba por mês. O processo busca superar uma das principais dificuldades históricas da espécie: a baixa taxa natural de germinação, que fica entre 3% e 5%.
Em pesquisas realizadas em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), o Agripark conseguiu alcançar taxas de germinação superiores a 80%. O resultado representa um salto significativo e é considerado fundamental para a produção de mudas em escala e para a expansão da cultura.
A evolução obtida no primeiro ano coloca Montes Claros no centro de uma estratégia que pretende estruturar uma nova cadeia produtiva baseada na macaúba, desde a seleção e produção das mudas até o processamento da matéria-prima.
Tecnologia para transformar a macaúba em produção comercial

A dificuldade de germinação sempre foi um dos obstáculos para a expansão comercial da macaúba. Por isso, parte importante do trabalho desenvolvido no Agripark está concentrada na preparação das sementes e na produção de mudas.
A estrutura reúne, em um mesmo complexo, biofábrica, laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, viveiros, áreas experimentais e uma usina-piloto. A proposta é integrar pesquisa, tecnologia e produção, permitindo que os resultados obtidos nos laboratórios sejam aplicados diretamente no desenvolvimento da cultura.
Para Vitor Barra, diretor de Agronegócio da Acelen Renovável, a estrutura criada em Montes Claros faz parte de uma estratégia que combina inovação tecnológica e sustentabilidade.
“A iniciativa inovadora está transformando o cenário do agronegócio e da sustentabilidade em Minas Gerais.”
Segundo Barra, um dos diferenciais do projeto está na utilização de ferramentas tecnológicas para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência da macaúba no estado.
“Através do uso de imagens de satélite gratuitas e algoritmos de inteligência artificial de alta precisão, pesquisadores e parceiros conseguiram mapear cerca de 4,5 milhões de hectares de áreas percorridas, identificando mais de 500 maciços naturais de macaúba no estado.”
Inteligência artificial ajuda a encontrar macaúba em Minas
Ao longo do desenvolvimento do projeto, pesquisadores e parceiros utilizaram imagens de satélite públicas e inteligência artificial para localizar áreas de ocorrência natural da macaúba.
Foram analisados aproximadamente 4,5 milhões de hectares em Minas Gerais, onde foram identificados mais de 500 maciços naturais da espécie.
Desses locais, cerca de 126 tiveram o potencial produtivo de óleo caracterizado. A partir das análises, 11 áreas foram contratadas para integrar o projeto, principalmente nas regiões Central Mineira e Alto Paranaíba.
O trabalho tecnológico complementa o que vem sendo desenvolvido no Agripark. A identificação dos maciços naturais permite conhecer melhor a distribuição da espécie e selecionar materiais que podem contribuir para o desenvolvimento da cadeia produtiva.
A tecnologia utilizada ganhou importância porque permitiu realizar o mapeamento a partir de imagens gratuitas, com resolução entre 150 e 200 metros. Para superar essa limitação, foi desenvolvido um algoritmo capaz de identificar especificamente as copas das palmeiras de macaúba.
Montes Claros concentra etapas do projeto
A escolha de Montes Claros para receber o Agripark levou em consideração a localização estratégica do município, a estrutura logística e a proximidade com centros de pesquisa e instituições de ensino.
A cidade possui ligação rodoviária com diferentes regiões de Minas Gerais e conta com instituições que contribuem para o desenvolvimento científico e tecnológico, como a Unimontes, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
A parceria com a Unimontes teve papel importante nos estudos relacionados à germinação da macaúba, um dos principais resultados alcançados durante o primeiro ano de operação.
Além da biofábrica, o complexo conta com pré-viveiro, laboratório de produção de sementes e extratora-piloto, permitindo acompanhar diferentes etapas do desenvolvimento da cultura.
Clonagem e seleção de materiais
Outra frente desenvolvida durante o projeto foi a criação de um programa de clonagem, com o objetivo de desenvolver clones locais e estabelecer metodologias para a reprodução da macaúba.
A iniciativa faz parte do esforço para construir uma base produtiva capaz de atender à futura demanda por matéria-prima. Nesse processo, o Agripark funciona como um ponto de conexão entre o conhecimento obtido em campo, as pesquisas científicas e a produção de mudas.
Um projeto que começa pela recuperação de áreas
O projeto também prevê o aproveitamento de áreas consideradas degradadas. A propriedade escolhida para a instalação da estrutura em Montes Claros possui histórico de baixa utilização produtiva e solos bastante exauridos.
A recuperação dessas áreas faz parte do próprio desafio do projeto: transformar terrenos empobrecidos em áreas produtivas, associando o cultivo da macaúba à geração de bioenergia e à sustentabilidade.
A proposta, portanto, não se limita à produção de mudas. O objetivo é desenvolver uma cadeia capaz de unir recuperação de áreas, produção agrícola, tecnologia e geração de energia renovável.
Próxima etapa é ampliar a cadeia da macaúba
Os resultados alcançados no primeiro ano de funcionamento do Acelen Agripark representam uma etapa inicial de um projeto de maior escala da Acelen Renovável.

A empresa pretende utilizar a macaúba como matéria-prima para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e HVO, combustíveis renováveis que fazem parte da estratégia de transição energética.
Para que isso seja possível, a produção de mudas em larga escala é uma etapa fundamental. É justamente nesse ponto que os resultados obtidos em Montes Claros ganham importância: a capacidade de escarificar e germinar até 1,7 milhão de sementes por mês, aliada ao aumento da taxa de germinação para mais de 80%, cria condições para ampliar a oferta de mudas.
Para Barra, a combinação entre pesquisa, tecnologia e conhecimento territorial é parte fundamental dessa transformação.
“A iniciativa inovadora está transformando o cenário do agronegócio e da sustentabilidade em Minas Gerais.”
Depois de um ano de operação, o Acelen Agripark consolida Montes Claros como um dos pontos centrais do desenvolvimento dessa nova cadeia produtiva. A pesquisa que começa na semente, passa pela produção de mudas e chega aos testes de processamento aponta para um projeto que pretende transformar a macaúba em uma cultura de escala industrial, com impactos na agricultura, na recuperação de áreas e na produção de combustíveis renováveis.
Veja alguns vídeos sobre o Acelen Agripark e os processos desenvolvidos com a macaúba
Vitor Barra, diretor de Agronegócio da Acelen Renovável
*Matéria: Larissa Durães