Impasse sobre transporte universitário deixa estudantes de Pirapora sem previsão de retorno

Foto: Arquivo pessoal

AUTP de Pirapora afirma que cerca de 70 alunos foram afetados pelo fim do transporte até instituições de ensino e alguns trancaram a matrícula

 

O início do segundo semestre letivo trouxe incertezas para dezenas de universitários de Pirapora que dependem do transporte para frequentar instituições de ensino em Montes Claros. Segundo a Associação dos Universitários e Técnicos de Pirapora (AUTP), aproximadamente 70 estudantes estão sem o serviço após a suspensão do transporte universitário.

De acordo com a entidade, enquanto alunos de outras cidades da região retomaram normalmente as atividades acadêmicas, os universitários de Pirapora enfrentam dificuldades para garantir a continuidade dos estudos, recorrendo a alternativas temporárias para não perder as aulas.

A presidente da AUTP, Gabriela Rodrigues, afirma que a associação não possui condições financeiras de manter o transporte desde o encerramento do último semestre letivo.

“Estamos completamente desamparados. Estamos sem o transporte desde o final do último semestre. Conseguimos manter a associação funcionando apenas com os valores das mensalidades dos associados, que cobrem os gastos mínimos com combustível, mas não são suficientes para pagar integralmente o serviço”, afirmou.

Segundo Gabriela, o pedido de subvenção para manutenção do transporte foi protocolado junto à Prefeitura de Pirapora em novembro de 2025. Ela relata que uma reunião com o prefeito ocorreu apenas em abril deste ano e que, desde então, o processo passou por novos entraves.

“Precisamos reapresentar documentos mais de uma vez porque, segundo nos informaram, houve problemas com a documentação. Sempre recebíamos a expectativa de que o pagamento sairia no mês seguinte, mas isso não aconteceu”, disse.

Associação questiona mudança no repasse

A presidente da AUTP também comentou a justificativa apresentada pela Prefeitura de Pirapora, que informou que a não celebração do Termo de Fomento nº 05/2026 ocorreu por uma impossibilidade jurídica apontada pela Procuradoria-Geral do Município.

Segundo a administração municipal, o transporte universitário não é uma obrigação legal do município, mas o serviço foi mantido enquanto havia respaldo jurídico para a execução. A Prefeitura afirma ainda que a celebração de novos repasses precisa seguir as regras previstas na Lei Federal nº 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil.

O município informou que o estatuto da AUTP caracteriza a entidade como representação estudantil e não como prestadora de serviços de logística ou transporte, o que teria gerado impedimentos jurídicos para a formalização do termo.

Para Gabriela Rodrigues, a associação não teve acesso anteriormente aos fundamentos legais da decisão.

“Fomos informados de que houve mudanças nas normas para os repasses, mas entendemos que a Prefeitura poderia buscar alternativas. Nossa associação existe há 22 anos e, durante todo esse período, o recurso foi destinado da mesma forma”, afirmou.

Prefeitura diz que negociações continuam

A Prefeitura de Pirapora informou que permanece buscando uma solução para o impasse e que uma nova reunião foi realizada com representantes da associação na tentativa de avançar nas tratativas.

Segundo o município, ainda não existe uma definição concreta ou previsão para a retomada do transporte, mas algumas alternativas estão sendo avaliadas.

A administração municipal reforçou que não deixou de buscar uma solução para o caso e destacou que o objetivo é encontrar uma medida que atenda aos estudantes dentro dos limites legais.

Estudantes relatam dificuldades

Um estudante da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que preferiu não se identificar, contou que a suspensão do transporte começou ainda no final do primeiro semestre e que precisou buscar alternativas para acompanhar as aulas.

“Nos últimos dias do semestre, fiquei duas semanas na casa dos meus tios para conseguir continuar estudando. Agora, no início deste semestre, vou precisar fazer isso novamente para não perder as primeiras semanas de aula”, relatou.

Segundo o universitário, a falta de uma definição aumenta a insegurança entre os estudantes que dependem do transporte.

“A informação que recebemos é que pode levar até 30 dias para uma resposta concreta. Enquanto isso, as aulas já começaram e muitos não sabem como vão conseguir continuar”, afirmou.

Ele também destacou que alguns alunos já enfrentam dificuldades financeiras para permanecer em Montes Claros temporariamente.

“Tem gente que não tem para onde ir e nem condições de pagar moradia ou transporte por conta própria. Muitos estão sem saber o que fazer”, disse.

Sem prazo definido, estudantes aguardam solução

A suspensão do transporte afeta universitários de Pirapora que realizam diariamente o deslocamento para instituições de ensino em Montes Claros. Enquanto aguardam uma definição, estudantes buscam alternativas como hospedagem temporária com familiares, divisão de moradia e outras formas de deslocamento.

Até o momento, Prefeitura e associação afirmam que continuam em diálogo para encontrar uma alternativa que permita o retorno do serviço.

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