Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Uma pesquisa do DataSenado revela uma diferença significativa entre a violência vivenciada por mulheres em Minas Gerais e os casos que são reconhecidos ou chegam aos registros oficiais. Segundo a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, 33% das mineiras relataram ter passado por pelo menos uma situação de violência nos 12 meses anteriores ao levantamento quando foram questionadas sobre episódios específicos. No entanto, apenas 4% se identificaram espontaneamente como vítimas ao responderem diretamente se haviam sofrido violência doméstica ou familiar.
O levantamento foi realizado em 2025 pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV). Foram entrevistadas 21.641 brasileiras com 16 anos ou mais, entre 16 de maio e 8 de julho, por telefone. A pesquisa tem nível de confiança de 95%. (Senado Federal)
A metodologia diferencia a chamada violência declarada da violência vivenciada. Na segunda etapa, as entrevistadas são questionadas sobre situações concretas, como insultos, humilhações, intimidações e outros tipos de agressão. De acordo com o DataSenado, essa abordagem permite identificar casos que não aparecem quando a mulher é questionada apenas se reconhece ter sofrido violência. (Senado Federal)
Violência psicológica e moral aparecem entre os principais relatos
Entre as mineiras que já sofreram violência praticada por um homem, os relatos apontam principalmente para formas não físicas de agressão. 86% relataram violência psicológica e 81%, violência moral.
Nos 12 meses anteriores à pesquisa, 16% das mulheres no estado disseram ter sido insultadas por alguém do círculo íntimo ou familiar. O mesmo percentual relatou situações de intimidação, como gritos ou objetos quebrados, enquanto 15% afirmaram ter sido humilhadas diante de outras pessoas.
O levantamento também mostra que 64% das mineiras conhecem alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar.
Desconhecimento sobre mecanismos de proteção
Outro dado identificado pela pesquisa é o nível de conhecimento sobre os instrumentos de proteção. Em Minas Gerais, 65% das entrevistadas disseram conhecer pouco a Lei Maria da Penha, enquanto 11% afirmaram não saber nada sobre a legislação.
Em relação às medidas protetivas, 16% disseram desconhecê-las. As demais relataram diferentes níveis de conhecimento sobre o mecanismo.
O DataSenado também identificou que 66% das mineiras acreditam que as vítimas denunciam os crimes apenas na minoria das vezes. No cenário nacional, o levantamento aponta que 58% das mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses não comunicaram a agressão à autoridade policial. (Senado Federal)
Violência também afeta trabalho, estudos e renda
Os impactos não se restringem às agressões. Segundo os resultados apresentados, metade das entrevistadas relatou consequências na vida profissional, enquanto 37% apontaram prejuízos nos estudos.
Em Minas Gerais, 12% das mulheres vítimas de violência precisaram continuar convivendo com o agressor. Entre elas, 59% moravam com o responsável pelas agressões.
A pesquisa também aponta que, entre as mulheres que encerraram um relacionamento, 82% afirmaram que a violência teve muita influência na decisão.
Os dados fazem parte da atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, que busca reunir informações sobre a violência contra as mulheres e evidenciar a distância entre os casos vivenciados e aqueles que chegam aos sistemas oficiais. Segundo o Senado, a atualização nacional estima que 87% das vítimas estejam fora dos registros oficiais. (Senado Federal)