Foto: Larissa Durães
O comércio de Montes Claros começa a entrar no clima da reta final de 2026. Com a proximidade de datas como Dia das Crianças, Black Friday, Natal e Ano Novo, os lojistas já precisam definir estoques, negociar com fornecedores e pensar em estratégias para atrair consumidores. A expectativa é de aumento nas vendas, mas o cenário também exige cautela diante da concorrência das plataformas digitais e das mudanças no comportamento dos clientes.
Para a comerciante Simone Rodrigues dos Santos, que mantém uma loja no bairro Maracanã, em Montes Claros, há 12 anos, o momento ainda é de observar o comportamento do mercado antes de estabelecer grandes projeções.
“O comércio não deixa criar uma expectativa de valor estimado, porque está muito vulnerável. Tem dia que está bom, tem dia que está ruim. Então, não tem uma coisa estimada; é no decorrer que a gente vai vendo o andamento do comércio”, afirma.
A concorrência com grandes plataformas de comércio eletrônico também pesa nas decisões. Simone cita especialmente as empresas estrangeiras que conseguem oferecer produtos a preços competitivos.
“Nós estamos com um comércio muito grande, até de fora, tipo a Shopee. Esses outros comércios de fora estão fazendo com que a gente perca muito dinheiro”, relata.
Mesmo diante desse cenário, a comerciante prevê um investimento cerca de 3% maior neste fim de ano em comparação com 2025. A estratégia inclui reforçar a equipe com dois funcionários temporários entre o fim de novembro e dezembro, período em que espera um aumento na procura.
A fidelização dos consumidores é outro fator considerado importante para o negócio. Simone afirma que já possui uma clientela formada e estima que os gastos dos clientes durante as festas fiquem, em geral, entre R$ 300 e R$ 800, principalmente por meio do cartão de crédito.
Na avaliação de Fernando Queiroz, assessor de comunicação do SindComércio de Montes Claros, o calendário de fim de ano reúne oportunidades diferentes para os empresários. O Dia das Crianças abre a sequência de datas relevantes.
“O Dia das Crianças é a segunda maior data do segundo semestre. Na realidade, é a terceira maior do ano, ficando atrás apenas do Dia das Mães e do Natal”, explica.
A Black Friday também tem importância estratégica para os lojistas, especialmente por ocorrer antes do período natalino. “A Black Friday é importante para escoar o final da coleção, fazer a mudança e criar capital para o Natal”, afirma Queiroz.
Já o Natal continua sendo a principal data do calendário comercial. O Ano Novo, segundo ele, tende a favorecer principalmente setores como vestuário, hotelaria, bares e restaurantes.
O representante do SindComércio avalia que Montes Claros atravessa um momento particular, impulsionado pela expansão da cidade e pela chegada de novos investimentos. “O aumento da população e a expansão da atividade econômica ajudam a ampliar a demanda por produtos e serviços. Para os comerciantes, o período de maior movimento também pode representar uma oportunidade para fortalecer o caixa antes dos compromissos do início do ano”, alerta.
Concorrência vai além do preço
A internet mudou a maneira como o consumidor pesquisa e compra, obrigando as lojas físicas a encontrar novos diferenciais. Para Queiroz, o caminho não é ignorar o comércio eletrônico, mas incorporar os canais digitais à estratégia das empresas.
“O comércio local tem que estar atualizado, seguindo a vertente da venda física e da venda virtual, porque isso já é uma realidade”, afirma.
Na disputa pela preferência do consumidor, o comerciante precisa combinar preço e qualidade com variedade e rapidez.
“Tem que ter preço, qualidade, versatilidade e agilidade na entrega para competir com os internacionais, com os e-commerces”, destaca.
Ao mesmo tempo, a dinâmica comercial de Montes Claros também vem mudando. Bairros como Major Prates, Renascença, Maracanã, Independência e Santos Reis ganharam força como polos comerciais. Segundo Queiroz, além dos custos menores, essas regiões oferecem vantagens como estacionamento e maior flexibilidade de funcionamento.
“Um aluguel num local desses é cerca de 40% a 50% mais barato que no centro”, afirma.
Planejamento pode fazer diferença
Para Arleandro Rodrigues, analista e consultor empresarial do Sebrae Minas, a preparação para o fim do ano não deve começar quando as lojas já estiverem cheias. A recomendação é antecipar decisões para ganhar poder de negociação e evitar compras feitas sob pressão.
“Setembro é o momento ideal para iniciar os preparativos de fim de ano. No comércio de Montes Claros, que funciona como o principal polo distribuidor e de consumo de todo o Norte de Minas, a antecipação é decisiva para garantir competitividade, boa negociação com fornecedores e organização operacional”, orienta.
O planejamento deve considerar não apenas quanto o empresário pretende vender, mas também o prazo de entrega dos fornecedores, o giro dos produtos e a capacidade financeira do negócio.
“O planejamento precisa começar agora. No comércio do Norte de Minas, as compras de fim de ano envolvem prazos de entrega e logística regional que exigem margem de manobra”, explica.
O estoque é um dos pontos que mais exigem atenção. Comprar demais pode deixar dinheiro parado em mercadorias que não terão saída, enquanto comprar de menos pode fazer o comerciante perder oportunidades de venda.
Outra estratégia recomendada pelo Sebrae é aproveitar a base de consumidores que a empresa já possui. Antes de ampliar os investimentos em publicidade, o empresário pode identificar clientes que compraram anteriormente e deixaram de frequentar o estabelecimento.
“Antes de pensar em investir altos valores em marketing digital ou qualquer tipo de marketing, é importante olhar para dentro da sua carteira de clientes. A empresa pode identificar quem comprou no último ano e quais clientes estão há muito tempo sem comprar”, orienta Arleandro.
Para o consultor, recuperar esse relacionamento pode ser uma alternativa mais econômica do que buscar exclusivamente novos consumidores.
“Resgatar esses clientes nesse momento fica muito mais barato do que investir em marketing. Depois disso, a empresa pode ampliar as ações de divulgação.”
Com o avanço das principais datas comerciais, comerciantes de Montes Claros entram nos próximos meses diante de uma equação que exige equilíbrio: aproveitar o aumento da demanda sem comprometer o caixa, preparar o estoque sem exageros e oferecer ao consumidor motivos para escolher o comércio local em meio à facilidade das compras pela internet.