CAMARA  2026

Imagem: divulgação

Vereadores repercutem crime recente no bairro Santo Amaro durante o Agosto Lilás e exigem maior efetividade nas medidas protetivas e punição de agressores.

 

 

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Montes Claros desta terça-feira (18) foi marcada por manifestações contundentes contra o feminicídio e cobranças por ações preventivas do poder público. Em pleno “Agosto Lilás”, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, o plenário repercutiu com indignação o assassinato de Suelen Fernandes Prates, de 42 anos, ocorrido no último dia 15 no bairro Santo Amaro. A vítima foi estrangulada pelo ex-companheiro, que a perseguia por não aceitar o término do relacionamento.

A pedido do vereador Marlus do Independência, os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em memória de Suelen. O parlamentar classificou o crime como barbárie e enfatizou que o feminicídio representa o estágio mais cruel e destrutivo da violência de gênero.

Metas e combate estrutural

A vereadora Professora Iara Pimentel defendeu o compromisso com a meta de “feminicídio zero” no município e no estado. Em plenário, lembrou que 177 mulheres foram mortas em Minas Gerais em 2025 por motivação de gênero e que, até agosto deste ano, 78 vidas já foram ceifadas. A parlamentar ressaltou a importância da legislação municipal aprovada em 2025, que proíbe a nomeação em cargos comissionados de pessoas condenadas pela Lei Maria da Penha ou pela Lei Henry Borel.

Para a vereadora Ceci Protetora, o caso reflete um padrão sistemático de sentimento de posse masculina. Ela pontuou que o enfrentamento exige o fortalecimento imediato das redes de acolhimento e a quebra do silêncio logo nas primeiras ameaças. No mesmo sentido, o vereador Daniel Dias frisou a urgência do envolvimento direto dos homens na desconstrução da cultura machista: “O feminicídio é a expressão máxima da mentalidade que enxerga o corpo e a vida da mulher como propriedade privada”.

Idealizadora da Procuradoria da Mulher do Legislativo, a vereadora Maria Helena Lopes cobrou agilidade do Estado na aplicação das medidas protetivas. “Não é admissível que o fardo da segurança recaia exclusivamente sobre a mulher sob ameaça; a proteção precisa ser antecipada e integrada para evitar tragédias”, declarou.

Panorama oficial da violência contra a mulher em 2026

Dados consolidados pelos órgãos oficiais de segurança pública (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública – Sejusp/MG, Polícia Civil de Minas Gerais e Fórum Brasileiro de Segurança Pública) traçam o cenário atual da violência de gênero:

  • Feminicídios consumados em Minas Gerais: O estado contabilizou 78 mortes por feminicídio no primeiro semestre de 2026, mantendo o mesmo patamar crítico do período equivalente em 2025 (quando o ano fechou com 177 vítimas fatais).

  • Tentativas de feminicídio no estado: Registraram alta, com 97 ocorrências notificadas no primeiro semestre de 2026, frente a 95 no mesmo período do ano anterior.

  • Violência doméstica e familiar: Mais de 48 mil ocorrências de agressões e violência contra a mulher são registradas anualmente em território mineiro no sistema de saúde e segurança.

  • Montes Claros e Norte de Minas: A maior cidade do Norte de Minas concentra a maior demanda de medidas protetivas da região integrada de segurança, registrando uma média superior a 2.500 ocorrências anuais de violência doméstica no âmbito da 11ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), mobilizando ações contínuas da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM).

O Portal Pequi News também está na campanha pelo Feminicídio Zero. Diga NÃO à violência contra a mulher, denuncie, peça ajuda, DISK 180!

 

 

 

 

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