PC indicia dois por morte de professora atingida por linha chilena em Montes Claros

Delegada de Homicídio, Francielle Drumond . Foto: Larissa Durães

Investigação concluiu que dupla utilizava linha de uso proibido em disputa de pipas quando vítima foi atingida; crime foi enquadrado como homicídio com dolo eventual

 

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que investigava a morte de uma professora de 57 anos, ocorrida no dia 30 de junho, em Montes Claros. As investigações apontaram que um jovem de 18 anos e um adolescente de 17 anos são os responsáveis pelo uso da linha chilena que atingiu a vítima, que morreu após sofrer um corte profundo no pescoço enquanto pilotava uma motocicleta.

De acordo com a delegada Franciele Drummond, da Delegacia de Investigação de Homicídios, a professora retornava do trabalho, em uma escola infantil, quando passou por um campo de futebol, local com intenso fluxo de veículos e pedestres.

“A Polícia Civil apurou que, quando ela retornava do seu local de serviço em sua motocicleta, foi atingida na região cervical por uma linha de pipa tensionada e com grande quantidade de material cortante”, afirmou a delegada.

Segundo o laudo de necropsia, a vítima sofreu um choque hipovolêmico hemorrágico provocado pelo ferimento, condição causada pela grande perda de sangue em decorrência do ferimento.

Durante as investigações, a Polícia Civil apreendeu uma carretilha em um lote vago próximo ao local do acidente. Conforme a perícia, o equipamento era compatível com a linha utilizada.

“Essa linha era uma linha chilena, cuja comercialização é proibida”, destacou Drummond.

As diligências também identificaram que o adulto e o adolescente participavam de uma disputa de pipas conhecida como “laçada”. Em determinado momento, eles perderam o controle da pipa e, ao recolherem a linha, perceberam que ela estava mais pesada.

“Provavelmente foi nesse momento que a vítima foi atingida na região cervical”, explicou a delegada.

Ainda conforme a investigação, testemunhas relataram que os dois deixaram o local logo após o ocorrido. Eles foram ouvidos pela Polícia Civil e admitiram a dinâmica dos fatos, mas negaram responsabilidade criminal.

Mesmo assim, a Polícia Civil concluiu que houve dolo eventual.

“Eles estavam utilizando um artefato perigoso e de comercialização proibida em um local de grande fluxo de veículos e pedestres. O simples uso da linha chilena ou do cerol já caracteriza o crime de perigo para a vida ou saúde de outra pessoa”, afirmou a delegada.

O maior de idade foi indiciado por homicídio doloso na modalidade de dolo eventual. Já o adolescente responderá por ato infracional análogo ao crime de homicídio perante a Vara da Infância e da Juventude.

Suspeitos responderão em liberdade

Questionada sobre o motivo de os envolvidos não terem sido presos, a delegada explicou que não estavam presentes os requisitos legais para a decretação da prisão preventiva.

“Para uma pessoa ficar presa é necessário que existam requisitos para a prisão preventiva, o que não ocorreu neste caso, tanto em relação ao maior quanto ao adolescente”, esclareceu.

Ela ressaltou, no entanto, que a situação poderá ser revista caso surjam novos elementos durante o andamento do processo.

“Se surgirem novos elementos, eles podem, sim, ser presos preventivamente.”

Caso condenado, o adulto poderá cumprir pena de seis a 20 anos de prisão. O adolescente poderá receber medida socioeducativa de internação por até três anos.

Polícia Civil reforça alerta

A delegada reforçou que o uso e a comercialização de linha chilena e cerol são proibidos em Minas Gerais e alertou para os riscos.

“A Polícia Civil reforça que qualquer tipo de uso da linha chilena ou do cerol já gera responsabilização criminal, independentemente de haver uma vítima. São artefatos extremamente perigosos e a orientação é para que a população não utilize e também não comercialize esse material”, concluiu.

Relembre o caso 

Cláudia Morais, de 57 anos, morreu após ser atingida por linha de cerol em Montes Claros Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma mulher de 57 anos morreu na terça feira (30) de junho, após ser atingida por uma linha cortante de pipa no bairro Residencial Minas Gerais, em Montes Claros.

A vítima, identificada como Cláudia Moraes, era professora e voltava do trabalho de motocicleta. De acordo com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), Cláudia teve um corte profundo no pescoço, apresentando um grande sangramento. A vítima também tinha um ferimento em um dos dedos da mão, levantando a suspeita de que ela poderia ter tentado remover a linha após ser atingida.

Ainda conforme o Samu, um morador da região teria prestado os primeiros socorros à mulher antes da chegada da equipe médica, porém ela não resistiu aos ferimentos e o óbito foi constatado no local.

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