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Foto: Larissa Durães

CRM-MG reúne autoridades e profissionais para propor medidas após agressão a médica na Santa Casa; Minas é o 3º estado com mais registros do tipo no país.

 

O aumento dos casos de violência contra profissionais de saúde no estado acendeu um sinal de alerta e motivou uma reunião emergencial promovida pelo Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), no dia 24/07, em Montes Claros. O encontro reuniu representantes do setor de saúde, da segurança pública e de hospitais para debater estratégias de prevenção e proteção aos trabalhadores.

A iniciativa faz parte de um circuito de reuniões que o CRM-MG vem realizando em diferentes regiões mineiras. Os dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) justificam a preocupação: Minas Gerais ocupa atualmente o terceiro lugar no ranking nacional de registros de violência contra médicos.

O presidente Ricardo Hernane – Foto Larissa Durães

De acordo com o presidente do CRM-MG, Ricardo Hernane Lacerda de Oliveira, o objetivo central é mapear a realidade das unidades e construir soluções integradas.

“Nós temos que saber como estão funcionando as unidades, como está sendo garantida a segurança do paciente, do médico e de toda a equipe de saúde. Também queremos reunir experiências de outros municípios para construir mecanismos que melhorem esse atendimento, protejam o profissional e, consequentemente, o paciente”, pontuou o presidente.

O impacto direto no atendimento à população

Para além do dano físico e psicológico aos profissionais, a escalada da violência gera um efeito colateral direto na assistência médica prestada à comunidade. O conselheiro regional do CRM-MG em Montes Claros, Itagiba de Castro Filho, alertou para o esvaziamento das unidades provocado pelo medo.

  • Evasão de profissionais: Médicos alvos de ameaças verbais e físicas acabam abandonando o serviço público ou mudando de local de trabalho.

  • Prejuízo à rede: A saída desses especialistas compromete a cobertura e a qualidade do atendimento prestado à população local.

 

Botão de pânico e Patrulha SUS: as medidas em Montes Claros

Durante o evento, o secretário municipal de Segurança Integrada, Járson Hansen, detalhou as ações de combate à criminalidade que já estão sendo implementadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.

Entre as principais tecnologias adotadas está o dispositivo eletrônico de pânico. Em situações de risco ou hostilidade, o botão é acionado imediatamente dentro da unidade, alertando a central da Guardiã dos Montes, que envia uma viatura da Guarda Municipal ao local.

Além disso, a Patrulha SUS mantém atuação exclusiva de 24 horas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Intensificamos as ações e disponibilizamos mais uma viatura para atender as unidades básicas de saúde da Prefeitura de Montes Claros, para que os médicos possam se sentir mais seguros”, destacou o secretário.

Agressão na Santa Casa gerou comoção

A urgência do debate na cidade ganhou força após um grave episódio registrado no dia 23 de junho, no Hospital Santa Casa. Uma médica foi atacada pelas costas por uma mulher enquanto atendia a filha da agressora. Segundo o conselheiro Itagiba de Castro Filho, a suspeita já tinha histórico de comportamento violento e foi autuada em flagrante na época.

“Infelizmente, ela sofreu um traumatismo craniano. Hoje está bem, mas, obviamente, bastante abalada”, relatou o conselheiro..

O caso reverberou fortemente entre os colegas de profissão. A coordenadora de Pediatria da UPA Chiquinho Guimarães, Juliana Lopes Palhares, expressou o sentimento de vulnerabilidade da classe ao lembrar que a vítima foi sua professora e possui uma trajetória médica amplamente respeitada.

“Ficamos todos muito assustados. É assustador pensar que nós, enquanto profissionais, exercendo nossa atividade, possamos estar expostos a esse tipo de situação”, afirmou Juliana.

Um apelo por respeito e mudança de perspectiva

A médica pediatra Juliana Lopes Palhares reforçou que, além do reforço policial e tecnológico, é fundamental que haja uma transformação cultural na forma como a sociedade enxerga as equipes de saúde.

“A gente espera, realmente, que seja feito algo para garantir essa segurança. Esperamos também a conscientização da população, para que enxergue a gente como profissional, que está ali trabalhando como qualquer outro. É necessário parar de ver o profissional, às vezes, até como inimigo. Nós estamos, pelo contrário, buscando ajudar e exercer nossa profissão com dignidade e respeito”, concluiu.

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