Inflação desacelera em Montes Claros, mas alimentos continuam pressionando orçamento das famílias

Foto: Larissa Durães

Índice de Preços ao Consumidor registra alta de 0,58% em maio; cesta básica sobe 2,15% e já compromete quase 40% do salário mínimo

 

A inflação em Montes Claros apresentou desaceleração em maio de 2026, mas os alimentos continuam sendo os principais responsáveis pelo aumento do custo de vida da população. De acordo com pesquisa realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Departamento de Economia da Unimontes, o índice registrado no mês foi de 0,58%, abaixo dos 0,91% verificados em abril. Com o resultado, a inflação acumulada no município em 2026 chegou a 3,24%.

Segundo a economista Vânia Silva Vilas Bôas, apesar da redução no ritmo da inflação, os preços continuam impactando diretamente o orçamento das famílias.

“O IPC de Montes Claros registrou 0,58% em maio, um resultado inferior ao observado em abril. Embora haja uma desaceleração da inflação local, os preços continuam subindo. O acumulado do ano já alcança 3,24%, demonstrando que o custo de vida segue pressionando o orçamento das famílias”, explicou.

O principal responsável pela alta dos preços foi novamente o grupo Alimentação, que registrou aumento de 1,42% e respondeu por cerca de 70% da inflação do mês. Entre os produtos que mais pesaram no bolso dos consumidores estão a batata inglesa, que teve alta de 42,33%, além da cebola e do quiabo, com reajustes superiores a 10%.

Por outro lado, alguns itens apresentaram redução de preços, como açúcar (-3,42%), café (-1,03%) e ovos (-4,09%), ajudando a conter um avanço ainda maior da inflação.

Outro fator que contribuiu para a desaceleração do índice foi a queda nos preços dos combustíveis.

“A redução dos preços do diesel (-2,89%), do etanol (-2,30% ) e da gasolina (-0,68%) foi fundamental para que a inflação de maio fosse menor do que a registrada em abril”, destacou Vânia.

A cesta básica também apresentou aumento em maio, com variação de 2,15%. Atualmente, o trabalhador montes-clarense precisa destinar 39,41% do salário mínimo para adquirir os 13 produtos considerados essenciais.

Na composição da cesta, os maiores impactos vieram da batata inglesa (42,33%), do feijão carioquinha (6,99%) e da carne bovina (2,20%).

Para a dona de casa Júlia Maria Santos, que mora com mais duas pessoas no bairro Independência, os números confirmam uma realidade percebida diariamente durante as compras.

“Cada vez que vou ao supermercado preciso deixar algum item para trás. A batata, o feijão e a carne estão muito caros. Mesmo pesquisando preços, a gente sente que o dinheiro não rende como antes. A alimentação continua pesando muito no orçamento da família”, relatou.

A expectativa para os próximos meses é de uma inflação alimentar mais moderada, favorecida pela chegada de novas safras e pelo aumento da oferta de hortifrutigranjeiros. No entanto, especialistas alertam que fatores como condições climáticas, custos de transporte, comportamento do mercado de carnes e oscilações da produção agrícola ainda podem influenciar os preços.

“O que os dados mostram é que, embora a inflação tenha desacelerado em maio, os alimentos permanecem como o principal desafio para o orçamento das famílias, especialmente aquelas de menor renda, que destinam uma parcela maior dos seus recursos para a alimentação”, concluiu a economista.

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