Foto: Larissa Durães
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em ação integrada com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), deflagrou na manhã desta quarta-feira (10) a Operação Medusa, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em extorsão digital por meio do chamado golpe da falsa garota de programa.
Durante a operação, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão preventiva em Montes Claros. Além disso, um casal foi preso em flagrante por tráfico de drogas após a localização de entorpecentes em um dos imóveis alvo das buscas.
As investigações tiveram início no Distrito Federal após o registro de diversas ocorrências envolvendo vítimas que relataram ter sido alvo do golpe. Segundo a apuração, os criminosos anunciavam falsas acompanhantes em sites especializados e aplicativos de relacionamento. Após o contato inicial, as vítimas passavam a receber ameaças e cobranças indevidas.
De acordo com o delegado Frederico da 5ª Delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal, o grupo atuava a partir de Montes Claros, mas fazia vítimas em várias regiões do país. “As pessoas entravam em sites de garotas de programa, achando que estavam conversando com acompanhantes, mas, na verdade, estavam falando com integrantes do grupo criminoso. Depois de coletarem informações, eles buscavam dados das vítimas em redes sociais e outros sites para iniciar ameaças e exigir pagamentos”, explicou.
Ainda segundo o delegado, os suspeitos utilizavam o nome de supostas organizações criminosas para intimidar as vítimas e forçá-las a transferir dinheiro. “Falavam que faziam parte de grandes facções criminosas. Por medo, muitas pessoas acabavam pagando os valores exigidos”, afirmou.
As investigações permitiram identificar toda a estrutura do esquema criminoso, incluindo os responsáveis pelas extorsões, os beneficiários que cediam contas bancárias para movimentação dos recursos e pessoas envolvidas na lavagem do dinheiro obtido ilegalmente. “Nós encontramos os extorsionários, os beneficiários que cediam as contas e quem lavava o dinheiro. Conseguimos alcançar toda a cadeia criminosa”, destacou o delegado.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares, dinheiro e outros materiais que serão submetidos à perícia. O objetivo é identificar novas vítimas, possíveis colaboradores e aprofundar o rastreamento financeiro da organização.
Todos os sete mandados de prisão preventiva foram cumpridos. “A operação foi 100% exitosa. Conseguimos cumprir todos os mandados de prisão, localizar todas as residências e encontrar todos os investigados”, informou o delegado. Segundo ele, a próxima etapa será analisar os materiais apreendidos para verificar a existência de outros envolvidos ou concluir definitivamente a desarticulação da organização.
Os investigados poderão responder pelos crimes de extorsão, organização criminosa e lavagem de capitais. Conforme o delegado, a soma das penas pode ser vários anos de prisão. “Como os crimes foram praticados dentro de uma organização criminosa estruturada e com divisão de tarefas, as penas somadas passam de 20 anos”, ressaltou.
A Operação Medusa é a nona ação coordenada pela Agência de Inteligência do 11º Departamento de Polícia Civil de Minas Gerais voltada ao combate de grupos especializados em extorsão digital por meio de anúncios falsos de acompanhantes. Ao longo dessas operações, mais de 80 investigados já foram identificados e alvo de medidas judiciais.
O delegado também destacou a importância da integração entre as forças de segurança. “Foi fundamental o apoio da Polícia Civil de Minas Gerais. O grupo agia a partir de Minas, mas escolhia vítimas de outros estados, o que dificultava as investigações. Eles conseguiram agir dessa forma por muito tempo, mas agora não mais”, concluiu.
A Polícia Civil orienta a população a desconfiar de cobranças, ameaças ou exigências financeiras recebidas por aplicativos de mensagens, especialmente quando relacionadas a anúncios de acompanhantes ou supostos vínculos com organizações criminosas. Em casos suspeitos, a recomendação é registrar imediatamente um boletim de ocorrência.
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