Foto: Ascom Unimontes
A Editora da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), lançou, na noite de segunda-feira (25/05), o “Atlas das Comunidades Quilombolas do Semiárido Mineiro”. Organizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e Agrários (NEPRA), vinculado ao Departamento de Geociências e ao Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGeo), com apoio do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social (PPGDS), o livro foi apresentado ao público nos formatos impresso e e-book, durante evento realizado no auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), no Prédio 6 do campus-sede. Participaram cerca de 150 pessoas.
Mesas e debate
Após apresentação cultural, foi composta mesa institucional com a presença do vice-reitor, professor Dalton Caldeira Rocha; do coordenador do NEPRA, professor Gustavo Henrique Cepolini Ferreira; do pró-reitor de Extensão, professor Rogério Othon Teixeira Alves; do pró-reitor adjunto de Pós-Graduação, professor Daniel Coelho; do coordenador do PPGeo e representante do Departamento de Geociências, professor Carlos Bortolo; do acadêmico de Geografia Júlio César Silva Santos, quilombola da Comunidade São Geraldo, município de Coração de Jesus, pesquisador e bolsista do NEPRA; da vereadora e professora Iara Pimentel; de Carol Caldeira, representando a deputada Bella Gonçalves; e de Paulo Faccion, da Comissão Pastoral da Terra de Minas Gerais.
Uma segunda mesa, de caráter técnico, abordou o atlas em números, a obra sob a perspectiva da editora e a leitura da professora convidada Fernanda Viana de Alcântara, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), responsável pelo prefácio do livro. Em seguida, houve novo momento de diálogo entre representantes das comunidades presentes e os autores dos textos que integram a publicação.
Atlas
O Atlas das Comunidades Quilombolas do Semiárido Mineiro está dividido em três partes: Atlas das Comunidades Quilombolas do Semiárido Mineiro, com 124 mapas; Leituras territoriais e as Comunidades Quilombolas, composta por 18 capítulos e 60 autores, entre lideranças quilombolas, graduandos, pós-graduandos e egressos da Unimontes e de outras instituições; e Entrevistas, com quatro entrevistas realizadas a partir de cinco comunidades quilombolas.
A obra resulta de processo coletivo desenvolvido entre 2024 e 2025, culminando em publicação de 285 páginas, considerada um dos maiores estudos sobre o Semiárido Mineiro e as comunidades quilombolas.
Coletivo
A coleção cartográfica, enfatizam os organizadores, “materializa um caminhar coletivo com os movimentos sociais e comunidades quilombolas na defesa e reconhecimento de territórios tradicionais, de luta, trabalho e vida”. Eles destacam que o Semiárido Mineiro reúne 217 municípios e 2.556 territórios quilombolas certificados pela Fundação Palmares em 2024, além de outros ainda em processo de reconhecimento.
Para a professora Fernanda Viana de Alcântara, da UESB, a obra reafirma que os territórios ultrapassam os mapas e alcançam a condição de “representações que sintetizam, agregam, simbolizam, distribuem, quantificam e qualificam muitos processos, histórias, disputas e fazeres de uma Geografia comprometida em desvelar” conflitos e alternativas territoriais.
No prefácio, a docente destaca ainda que a publicação contribui para “o conhecimento e a compreensão de nossas histórias de vida”, além de preencher lacuna relacionada à visibilidade, ao reconhecimento e ao respeito às comunidades quilombolas.


