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O salário mínimo ideal para sustentar dignamente uma família de quatro pessoas em Montes Claros deveria ser de R$ 8.224,46. O valor corresponde a 5,07 vezes o atual salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621. O dado foi revelado por um estudo desenvolvido por Evelin de Souza Rocha, acadêmica do curso de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
Para calcular o montante ideal, a pesquisadora utilizou como referência o padrão do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), multiplicando por quatro o custo da cesta básica local, que atingiu a marca de R$ 2.423,76 no mesmo período.
Alimentação consome mais que o salário mínimo
Os resultados do levantamento acendem um alerta para a situação social na maior cidade do Norte de Minas. Cruzando o salário ideal com os pesos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) — que aponta que a alimentação responde por 29,47% do orçamento —, a pesquisa demonstra a inviabilidade financeira das famílias de baixa renda.
Atualmente, uma família local de quatro pessoas que sobrevive com apenas um salário mínimo (R$ 1.621) não consegue arcar nem mesmo com as despesas de alimentação básica (R$ 2.423,76), cujo custo representa 149,5% do piso nacional.
“Sobra zero para moradia, transporte, saúde, educação ou vestuário”, destaca a estudante de Economia.
Inflação dos alimentos anula ganho real
Outro ponto crítico apontado pelo estudo é o avanço de 7,41% no custo da cesta básica local em um intervalo de apenas quatro meses. A alta superou o próprio reajuste anual do salário mínimo nacional, que foi de 6,79%. Na prática, a valorização do poder de compra conquistada no início do ano já foi integralmente absorvida pelo encarecimento dos alimentos.
O salário mínimo vigente de R$ 1.621 foi fixado pelo governo federal considerando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025 (4,18%) somada a um ganho real de 2,5%, limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
Impacto social
A defasagem do poder de compra atinge diretamente uma parcela expressiva da população. De acordo com a acadêmica da Unimontes, cerca de 35% da força de trabalho brasileira — o equivalente a 61,9 milhões de cidadãos, entre trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais — recebe o piso nacional. Desse grupo, quase 70% dos direitos pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são vinculados ao salário mínimo, evidenciando o impacto da inflação na subsistência das famílias.