Inflação sobe em Montes Claros e custo de vida pesa no bolso das famílias em março

Foto: Larissa Durães

Alta foi impulsionada por alimentos e combustíveis; cesta básica já consome mais de 37% do salário mínimo

 

Montes Claros registrou aumento no custo de vida no mês de março, conforme aponta a pesquisa de variação de preços realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O Índice de Preços ao Consumidor do Município de Montes Claros (IPC-MOC) ficou em 0,70%, acima dos 0,30% registrados em fevereiro. Com o resultado, a inflação acumulada no ano alcançou 1,72%.

Segundo a coordenadora do IPC-MOC, a professora e economista Vânia Vilas-Bôas, “o índice de preços ao consumidor de Montes Claros registrou alta de 0,70% em março, acima dos 0,30% verificados em fevereiro. Com isso, a inflação acumulada no ano chegou a 1,72%, refletindo a elevação do custo de vida das famílias do município”.

De acordo com a economista, os principais responsáveis pela alta foram os grupos Alimentação e Transporte e Comunicação, que juntos responderam por mais da metade da inflação do período. “De modo geral, o cenário indica estabilidade, mas com impactos relevantes sobre o poder de compra das famílias, especialmente as de menor poder aquisitivo”, destacou.

O grupo Alimentação, que possui o maior peso na composição do orçamento das famílias, com 29,47%, apresentou variação positiva de 1,27% e contribuiu com 0,37 ponto percentual no índice final. Entre os produtos que mais subiram estão repolho (32,21%), cenoura (29,39%), kiwi (28,16%), tomate (17,03%), cebola seca (16,49%), banana caturra (15,36%), feijão (9,12%), ovos (7,87%) e carne bovina (2,01%).

A economista ressalta que a alta dos alimentos está relacionada a fatores sazonais. “Os aumentos observados, especialmente nos hortifrutigranjeiros, estão associados às condições climáticas e aos custos de produção e transporte registrados no período”, explicou.

Outro fator de forte impacto foi o grupo Transportes e Comunicação, que teve alta de 1,04% e contribuiu com 0,20 ponto percentual para o índice. Os maiores reajustes foram observados no óleo diesel (12,11%), gasolina (2,75%) e etanol (1,20%).

Sobre esse grupo, Vânia Vilas-Bôas destacou que “os combustíveis continuam sendo um fator de atenção, pois ainda representam risco de pressão sobre o índice nos próximos meses”.

A pesquisa também mostra que a cesta básica passou a custar R$ 605,94, comprometendo mais de 37% do salário mínimo para a compra dos 13 itens essenciais. “Esse cenário evidencia a redução do poder de compra das famílias, principalmente aquelas de menor renda”, afirmou a economista.

Entre os demais grupos pesquisados, Habitação apresentou leve queda de 0,05%, enquanto Artigos de Residência e Serviços Domésticos subiram 0,42%. O grupo Vestuário teve alta de 0,14% e Educação e Despesas Pessoais registrou elevação de 0,74%.

Para os próximos meses, a expectativa é de inflação moderada. “Há possibilidade de desaceleração, principalmente nos preços dos alimentos, após as pressões sazonais observadas no início do ano. No entanto, os combustíveis seguem como fator de risco”, concluiu a coordenadora do IPC-MOC.

Maria Aparecida Souza, 42 anos, auxiliar de serviços gerais e moradora do bairro Major Prates, em Montes Claros, conta que já sentiu no bolso o aumento dos preços, principalmente no supermercado e no posto de combustíveis. “Cada ida ao mercado está mais pesada. A gente compra menos e paga mais. O tomate, a cebola, o feijão, tudo subiu muito.”

Ela afirma que os itens básicos da alimentação são os que mais têm impactado o orçamento da família. “O que mais preocupa é a comida. São coisas que não dá para deixar de comprar. Carne, ovos, verduras, tudo está mais caro, e isso pesa demais no fim do mês.”

Sobre o aumento nos combustíveis, a moradora destaca o reflexo indireto nos demais preços. “Quando sobe gasolina e diesel, parece que sobe tudo junto. O transporte fica mais caro e isso acaba chegando também nos alimentos.”

Maria também relata a dificuldade para manter as contas em dia. “O salário continua o mesmo, mas as despesas aumentam. A gente precisa fazer conta para tudo e muitas vezes cortar alguma coisa.”

Ao comentar o valor da cesta básica, ela resume a preocupação de muitas famílias. “Mais de 37% do salário só para o básico é muito pesado. Sobra pouco para pagar água, luz, aluguel e outras despesas.”

“Estou com medo de que com essa guerra que não quer acabar as coisas aumentem ainda mais”, desabafa.

IPC Moc
O IPC Moc é o indicador da evolução do custo de vida das famílias montes-clarenses. Calculado desde 1982, visa medir a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços componentes das despesas habituais de famílias com renda entre um e seis salários mínimos mensais.

O cálculo do IPC Moc é realizado com base nas despesas de consumo obtidas por meio da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), que possibilita conhecer quais são os bens e serviços utilizados ao longo de um ano pelas famílias. Verifica também a representatividade de cada um desses bens e serviços na despesa global das famílias.

Cesta Básica
Os preços dos 13 produtos (carne bovina, leite tipo C, feijão, arroz amarelão, farinha, tomate, batata, pão de sal, café, banana caturra, açúcar, óleo e margarina) que compõem a Cesta Básica registraram variação positiva de 5,07% em março, após elevação de 2,08% em fevereiro. Com este resultado, a cesta acumula alta de 7,42% nos três primeiros meses de 2026.

As informações utilizadas para o cálculo da Cesta Básica de Montes Claros têm como fonte a base de dados da Pesquisa Mensal de Preços ao Consumidor. O levantamento é desenvolvido e coordenado pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC), vinculado ao Departamento de Economia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Unimontes.

Quando se considera o rendimento mensal de R$ 1.621,00, o trabalhador montes-clarense destinou 37,38% de sua renda para a aquisição da Cesta Básica. No período, o custo da Ração Essencial Mínima foi de R$ 605,94, valor superior ao observado em fevereiro, de R$ 576,69.

Após a aquisição da Cesta Básica, restaram ao trabalhador R$ 1.015,06 para as demais despesas essenciais, tais como moradia, saúde e higiene, serviços pessoais, lazer, vestuário e transporte. O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica em março foi de 102 horas e 19 minutos, em oposição a 97 horas e 22 minutos do mês anterior.

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