Polícia Federal cria força-tarefa para frear crimes eleitorais e fake news nas campanhas em MG

Ideia é frear campanhas difamatórias e desvio de recursos antes do pleito eleitoral Foto: José Cruz/Agência Brasil

Efetivo da Delegacia de Defesa Institucional vai mais do que dobrar nos próximos dias, e aparato da unidade de combate ao cibercrime vai focar nas campanhas

 

Às vésperas das eleições, quando mais de 150 milhões de brasileiros vão escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados, a Polícia Federal montou uma força-tarefa para tentar frear crimes eleitorais em Minas Gerais. O efetivo de policiais lotados na Delegacia de Defesa Institucional (Delinst), que é focada nas investigações de crimes contra a ordem política e na defesa das instituições federais, vai mais que dobrar nos próximos dias com foco total em crimes como desvio de fundos partidários e campanhas difamatórias nas redes sociais.

Segundo o superintendente Regional da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad Macedo, o objetivo é descobrir os crimes antes que ocorra o pleito eleitoral. “Nós estamos incrementando a denúncia para que esse ano nós tenhamos uma ação muito focada na questão preventiva. De novo, não adianta você querer investigar um crime de compra de votos, por exemplo, seis meses depois que isso ocorreu e o candidato já diplomado. Os prazos da justiça eleitoral são muito exigentes. Então nós teremos um determinado momento que a Polícia Federal de Minas Gerais vai focar na questão eleitoral. Ela vai toda focar para que nós não permitamos que em Minas Gerais tenhamos desvios, no sentido de permitir compra de voto, desvio de recursos dos fundos eleitorais. Nós vamos trabalhar cautelarmente”, garantiu o superintendente em encontro com jornalistas ocorrido na sede da PF em Belo Horizonte, na manhã desta quinta-feira (26/03).

O trabalho não será feito sozinho: a PF tem se aproximado ainda mais de instituições como o Tribunal Regional Eleitoral, o Ministério Público Federal e das próprias candidaturas para ter acesso às denúncias. “Muitas vezes, quem mais viabiliza essa denúncia é o maior prejudicado, que é o adversário de quem pratica o crime. Nós vamos disponibilizar canais de comunicação direto com todos os partidos e com todas as coligações”, afirma Murad.

Um desafio já mapeado para o período serão as campanhas difamatórias pelas redes sociais. Para lidar com a questão, haverá o uso da estrutura da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (Deleciber), unidade focada em investigar delitos cometidos no ambiente virtual. “Temos as fake news, a utilização da inteligência artificial para cometer crimes, então será necessária essa simbiose entre as delegacias. Nesse momento das eleições, a Deleciber volta a atenção para a questão eleitoral. Por quê? Muitas vezes, como no caso das últimas eleições, com uma ferramenta de inteligência artificial se destrói a campanha de um candidato. A nossa obrigação como instituição de estado, seja qual for esse candidato apresentando a denúncia, é fazer a perícia o mais rápido possível e retirar qualquer tipo de campanha difamatória ou que de alguma forma interfira no resultado da eleição por meio fraudulento”, explica Murad.

Eleição anterior

Segundo dados do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, apenas no primeiro turno das eleições municipais de 2024, de 17 de agosto até o dia da votação (6 de outubro), foram cometidos 4.556 crimes eleitorais, sendo 800 deles em Minas Gerais. O estado foi o que mais teve registros criminais no Brasil durante o período analisado, seguido pelo Paraná (494) e Rio de Janeiro (394). Nacionalmente, a Polícia Federal foi a corporação que atuou em mais crimes, assumindo 1.165 investigações. Boca de urna, compra de votos, corrupção eleitoral foram os crimes mais cometidos no período.

No dia seguinte à eleição de 2024, a PF divulgou um balanço das operações realizadas para combater crimes eleitorais no primeiro turno. Em todo o país, foram conduzidas 415 pessoas para as delegacias, instaurados 117 inquéritos policiais para investigar esse tipo de crime. No total, foram apreendidos mais de R$ 50,4 milhões ligados a irregularidades. Em Minas Gerais, entre os inquéritos abertos nas eleições de 2022 e 2024, 54 estão em processo de apuração.

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