Festival Literário valoriza autores locais e amplia acesso à leitura em Montes Claros

As escritoras: Glorinha Mameluque, Mara Narciso, Cida Neri, e a secretária de Cultura e representante da Academia Feminina de Letras de Montes Claros (AFLMC), Júnia Velloso Rebello . Foto: Larissa Durães

Quinta edição do FLAM terá 11 dias de programação com lançamentos, oficinas e participação de escolas

 

A quinta edição do Festival Literário do Autor Montes-clarense (FLAM) será realizada entre os dias 7 a 15 de abril, em Montes Claros, com uma programação diversificada no Centro Cultural que inclui lançamentos de livros, oficinas, rodas de conversa e atividades abertas ao público. O evento tem como foco incentivar a escrita, dar visibilidade aos autores locais e fortalecer o hábito da leitura na região.

De acordo com a secretária de Cultura e representante da Academia Feminina de Letras de Montes Claros (AFLMC), Júnia Velloso Rebello, o festival é resultado da união entre academias literárias da cidade. “Estamos realizando o FLAM na sua quinta edição. As academias se uniram para realizar esse festival, que já é um grande sucesso”, afirmou. Segundo ela, a programação conta com atividades todas as noites. “Serão vários dias de eventos, com lançamentos de livros, sessões de autógrafos e momentos de diálogo entre autores e público”, explicou.

Além dos lançamentos, o evento também abre espaço para escritores que já possuem obras publicadas. “Todos os autores da cidade podem participar, levando seus livros. Muitas vezes essas obras não tiveram o alcance desejado, então o festival cria essa oportunidade de divulgação”, destacou. A proposta, segundo Júnia, é consolidar o evento como um ambiente permanente de incentivo à literatura. “Queremos motivar as pessoas a escreverem, publicarem e conhecerem a produção local”, disse.

A programação inclui oficinas e atividades formativas, muitas delas em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). “O ambiente do festival já estimula quem quer escrever. Além disso, teremos oficinas com certificação”, ressaltou. Durante o dia, escolas e universitários participam de visitas, ampliando o alcance do evento.

A médica e escritora Mara Narcisa destacou que o festival surgiu após a pandemia, diante da necessidade de dar visibilidade a obras que estavam sem circulação. “Havia muita gente com livros engavetados. A partir disso surgiu a ideia de criar o festival”, afirmou. Para ela, o evento também representa resistência cultural. “Estamos na contracorrente, valorizando o livro impresso. A livraria do festival encanta e proporciona um mergulho na literatura local”, disse.

Apesar do crescimento, a escritora aponta desafios, especialmente na formação de leitores jovens. “Esse público existe, mas ainda não é maioria. Nosso desafio é atrair esses leitores e mostrar a importância do livro para um conhecimento mais aprofundado”, destacou. Segundo Mara, a literatura também cumpre papel importante na preservação da memória. “É por meio dos livros que conhecemos melhor a história da cidade e da região”, completou.

Responsável pelo recebimento das obras, a escritora Maria Cida Neri informou que a adesão tem sido positiva. “Formamos uma equipe para receber os livros das 8h às 18h no Centro Cultural. Já temos mais de 20 autores participando, com um número ainda maior de obras, pois cada um traz o que escreveu e tem autor com 16 títulos”, afirmou. Ela também destacou o sucesso do sebo literário. “É um espaço importante para divulgar ainda mais os escritores da cidade”, disse.

Para comercializar livros na livraria do evento, não é necessário pagar inscrição. O autor pode disponibilizar suas obras e, em caso de venda, 20% do valor é destinado às academias organizadoras. Caso não haja vendas, não há custos. Já para lançamentos oficiais, é cobrada uma taxa de R$ 150, que inclui materiais de divulgação e um espaço de 30 minutos para apresentação. As vagas para lançamentos desta edição já foram preenchidas, com cerca de 25 obras previstas, incluindo produções de autores iniciantes e até de crianças.

A psicóloga e escritora Glorinha Mameluque ressaltou o impacto do festival para novos autores. “É uma oportunidade de expor o trabalho e se tornar conhecido. O público visita, folheia os livros e conversa com os autores”, afirmou. Para ela, a presença dos leitores é essencial. “A gente escreve para ser lido. O que seria do escritor sem o leitor?”, pontuou.

Júnia também destacou o crescimento do evento e a diversidade da programação. “O FLAM tem ganhado cada vez mais espaço na vida cultural da cidade. Existe uma grande curiosidade sobre como publicar, e o festival ajuda a desmistificar esse processo, aproximando autores de editoras e gráficas”, afirmou.

Ela ainda ressaltou o espaço dedicado ao público infantil. “Temos uma livraria voltada às crianças, com participação de escolas e famílias, incentivando o hábito da leitura desde cedo”, disse.

Segundo a organização, uma das novidades desta edição é a realização de oficinas diretamente em escolas. “Professores ligados à Unimontes vão atuar em três unidades, oferecendo entre seis e nove oficinas. A ideia é levar o incentivo à leitura e à escrita diretamente aos jovens”, concluiu Júnia.

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