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É assim que o luto se torna invisível.

 

Existe uma cobrança silenciosa que acompanha muitas pessoas enlutadas: a de que precisam voltar ao normal o mais rápido possível. Depois de uma perda, é comum ouvir frases como: “Você precisa ser forte”, “A vida continua”, “Pelo menos ele não está sofrendo mais”, “Você precisa seguir em frente” ou até mesmo “Já faz tanto tempo, você precisa superar”. Embora muitas dessas falas sejam ditas com a intenção de confortar, podem produzir justamente o efeito contrário: fazer com que a pessoa sinta que sua dor incomoda, que está sofrendo por tempo demais ou que precisa esconder aquilo que ainda sente.

É assim que o luto se torna invisível.

A sociedade costuma reconhecer a dor nos primeiros dias, oferece condolências, pergunta como a pessoa está e demonstra preocupação. Mas, com o passar das semanas e dos meses, a vida dos outros retoma seu ritmo. O trabalho continua, os compromissos permanecem e as pessoas esperam que o enlutado acompanhe esse movimento.

Só que a ausência não obedece ao calendário. Ela pode aparecer em uma data comemorativa, em uma música, em um lugar conhecido, em uma lembrança inesperada ou simplesmente em um dia comum. E nem sempre quem está de fora consegue compreender por que aquela pessoa ainda sente tanto.

Outro problema são os conselhos que tentam resolver o sofrimento em vez de acolhê-lo. Dizer para alguém ocupar a cabeça, parar de pensar na perda ou encontrar rapidamente um novo propósito pode transmitir a mensagem de que sentir tristeza é algo que precisa ser corrigido. Mas o luto não precisa ser apressado, silenciado ou transformado em uma demonstração constante de força, nesse espaço que a Psicologia se torna tão importante.

 

Na psicoterapia, o enlutado não precisa fingir que está bem, medir suas palavras para não preocupar os outros ou justificar por que ainda sente saudade. Existe espaço para falar sobre a revolta, a culpa, a tristeza, o alívio, as lembranças e até mesmo sobre sentimentos contraditórios que muitas vezes parecem difíceis de admitir. O trabalho psicológico não consiste em ensinar alguém a esquecer quem perdeu, mas em ajudá-lo a elaborar essa experiência, compreender suas emoções e construir novas possibilidades de vida sem precisar negar a importância daquela relação. Talvez uma das maiores formas de acolhimento seja permitir que alguém fale sobre sua dor sem tentar encontrar imediatamente uma solução.

 

Porque o luto não precisa de cobranças para terminar.

Precisa de espaço para ser vivido.

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