Foto: Divulgação FGV
Com o segundo turno das eleições marcado para domingo (25/10), as discussões políticas ganham espaço também no ambiente de trabalho. Em meio à polarização, divergências entre colegas podem provocar conflitos, desgastar relações profissionais e comprometer a produtividade das equipes.
Uma pesquisa da Ipsos-Ipec, divulgada em dezembro de 2025, mostra que a polarização política desperta sentimentos negativos entre os brasileiros. Entre os entrevistados, 19% apontaram a tristeza como principal sentimento diante das divisões políticas, 17% citaram o cansaço e 16%, o medo. O levantamento ouviu 2 mil pessoas em 131 municípios brasileiros.
Para o consultor e empresário Diego Suzano, conversar sobre política no trabalho não precisa ser um problema, desde que as opiniões sejam manifestadas com respeito e sem constrangimentos.
“É importante garantir o direito à liberdade de expressão. O debate, quando civilizado, desenvolve argumentação e pensamento crítico e permite discutir pautas importantes para o país. O problema começa quando a divergência de ideias vira ataque pessoal ou pressão sobre o colega”, explica.
Segundo o consultor, os conflitos podem ultrapassar as discussões políticas e comprometer o relacionamento entre os profissionais, afetando o desempenho de toda a equipe.
“Essas discussões costumam ser levadas para o pessoal e desgastam as relações, o que afeta o ânimo e a produtividade de todo mundo e, nessa hora, uma cultura organizacional bem definida faz a diferença”, destaca Diego Suzano.

Liberdade de expressão tem limites no ambiente profissional
Além dos impactos na convivência, as empresas precisam observar a legislação eleitoral. A Resolução nº 23.755/2026, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), passou a proibir expressamente a propaganda e o assédio eleitoral nos ambientes de trabalho públicos e privados, prevendo responsabilização de quem praticar ou permitir essas condutas, conforme a legislação vigente.
“Isso significa que o direito de conversar sobre política e manifestar opiniões não equivale à autorização para fazer propaganda eleitoral no ambiente profissional. Pressionar funcionários, exigir apoio a candidatos, ameaçar demissões ou oferecer benefícios em troca de votos são exemplos de condutas que podem configurar assédio eleitoral”, afirmou o consultor.
O problema também preocupa as autoridades em Minas Gerais. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), o estado liderou o número de denúncias de assédio eleitoral nas eleições de 2022, com 654 registros. Em agosto de 2026, o órgão anunciou uma parceria com instituições da Justiça Eleitoral e do Trabalho para intensificar a prevenção e o combate a essas práticas.
Cinco dicas para evitar conflitos políticos nas empresas:
- Diálogo com regras claras
As empresas devem orientar os colaboradores sobre os limites das discussões políticas, reforçando o código de conduta e a importância de manter um ambiente respeitoso. O diálogo não deve abrir espaço para ofensas, discriminação ou propaganda eleitoral.
- liberdade de expressão
Nem todos os colegas compartilham das mesmas posições políticas. Saber ouvir, evitar provocações e reconhecer o direito de cada pessoa pensar diferente são atitudes fundamentais para preservar o relacionamento profissional.
- Não utilize cargos de liderança para influenciar o voto
Gestores e superiores hierárquicos devem evitar qualquer comportamento que possa ser interpretado como pressão política sobre os subordinados.
“Colaboradores tendem a se sentir pressionados por lideranças. Deixe que cada um forme sua opinião livremente e evite transformar sua posição de chefia em um megafone político”, orienta Diego Suzano.
- Tenha cuidado com mensagens e redes sociais
Grupos de WhatsApp, e-mails e outros canais corporativos não devem ser utilizados para propaganda eleitoral ou constrangimento de colegas. Também é importante verificar a veracidade das informações antes de compartilhá-las e evitar conteúdos ofensivos.
- Crie canais de diálogo e acolhimento
O setor de Recursos Humanos (RH) e as lideranças devem estar preparados para receber relatos de constrangimento político, garantindo acolhimento, confidencialidade e encaminhamento adequado das denúncias, sem retaliações.
Trabalhadores que se sentirem pressionados podem procurar os canais internos da empresa, sindicatos ou o Ministério Público do Trabalho. Mensagens, e-mails e outros registros podem ajudar na apuração de possíveis irregularidades.
Para Diego Suzano, o respeito às diferenças e uma cultura organizacional bem definida são fundamentais para evitar que as disputas eleitorais prejudiquem as relações profissionais. O desafio das empresas é preservar a liberdade individual sem comprometer o ambiente de trabalho e o desempenho das equipes.