Foto: Divulgação Amams
A estiagem prolongada e a irregularidade das chuvas provocaram prejuízos expressivos na agropecuária do Norte de Minas durante o ano agrícola 2025/2026. Segundo relatório agroclimatológico da Emater-MG, as perdas estimadas na pecuária chegam a R$ 500 milhões, principalmente devido à degradação das pastagens. Na agricultura, a redução da produção chegou a 70% em áreas afetadas.
Diante do cenário, o presidente da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS) e prefeito de São João da Lagoa, Ronaldo Soares Mota Dias, defende a adoção de medidas emergenciais para amenizar os prejuízos e garantir a continuidade das atividades no campo.
Entre as propostas estão a suspensão temporária da cobrança de dívidas de financiamentos rurais, a renegociação dos débitos e a criação de linhas especiais de crédito para recuperação da capacidade produtiva.
“Os produtores rurais estão enfrentando uma situação extremamente difícil, com perdas na lavoura, falta de pastagens e redução da disponibilidade de água. É fundamental que os governos ofereçam condições para que o homem do campo consiga renegociar suas dívidas, acessar novos recursos e manter sua atividade. Sem apoio emergencial, muitas famílias poderão enfrentar dificuldades ainda maiores para continuar produzindo”, destaca Ronaldo.
Escassez de água compromete produção
O levantamento da Emater-MG aponta que a distribuição irregular das chuvas prejudicou o plantio e o desenvolvimento das lavouras. Desde abril de 2026, a região enfrenta um período prolongado de estiagem, com redução dos níveis de água em rios, poços, barragens e açudes.
De acordo com o relatório, mais de 88% dos municípios pesquisados registraram impactos na disponibilidade de água para irrigação e consumo humano e animal.
O documento recomenda investimentos em segurança hídrica, recuperação de pastagens, armazenamento de água e assistência técnica aos produtores. Também destaca a necessidade de facilitar o acesso ao crédito rural e fortalecer as políticas públicas voltadas à agricultura familiar.
Outro fator de preocupação são os possíveis efeitos do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que pode alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do Brasil.
No Norte de Minas, a combinação de temperaturas elevadas, evaporação intensa e chuvas insuficientes pode agravar a escassez hídrica, pressionar os reservatórios e comprometer ainda mais a produção agropecuária.
AMAMS cobra apoio do Governo de Minas
Além das medidas de apoio financeiro aos produtores, a AMAMS cobra do Governo de Minas Gerais a publicação de um decreto que viabilize o repasse de recursos aos municípios atingidos pela estiagem.
A entidade defende uma atuação conjunta dos governos federal, estadual e municipal para garantir ações emergenciais e investimentos estruturantes, capazes de reduzir os impactos da seca e preparar a região para futuros períodos críticos.
“Não podemos esperar que os prejuízos aumentem para agir. O Norte de Minas precisa de políticas públicas que garantam água, crédito e condições para o produtor se recuperar. Apoiar o homem do campo é proteger a economia regional, a agricultura familiar e a segurança alimentar da nossa população”, conclui o presidente da AMAMS.
Observações editoriais
O texto foi reorganizado para destacar o impacto econômico da seca logo na abertura, seguido das reivindicações da AMAMS e dos dados do relatório da Emater-MG. As declarações de Ronaldo Soares Mota Dias foram preservadas integralmente.
Antes da publicação, recomendo verificar três pontos:
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Prejuízo de R$ 500 milhões: confirmar se a estimativa da Emater-MG abrange toda a pecuária regional ou especificamente as perdas relacionadas às pastagens.
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Redução de até 70% na produção agrícola: identificar as culturas e os municípios atingidos para dar maior precisão à informação.
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El Niño: confirmar a situação climática e as projeções oficiais para o Norte de Minas. O fenômeno não deve ser apresentado como causa comprovada da estiagem sem respaldo meteorológico.