Cantor Netinho - Foto: Redes sociais
O cantor baiano Netinho, um dos grandes nomes do axé music dos anos 1990, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que atinge o sistema linfático, diagnosticado em 2025.
Dono de uma voz marcante e de sucessos que atravessaram gerações, Netinho conquistou o Brasil com músicas como “Milla”, um dos maiores hits de sua carreira. O cantor ajudou a popularizar o axé music fora da Bahia, levando a energia do Carnaval de Salvador para palcos de todo o país e também do exterior.
Netinho enfrentava problemas de saúde desde fevereiro de 2025, quando foi internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, após apresentar fortes dores nas costas e dificuldades para caminhar.
Em março daquele ano, a equipe médica confirmou o diagnóstico de linfoma. O cantor passou por seis ciclos de quimioterapia e chegou a anunciar que os exames não identificavam mais sinais da doença.
Entretanto, em maio de 2026, revelou que o câncer havia retornado. A recidiva foi identificada durante exames realizados para investigar um problema renal.
No final de setembro, sua equipe informou que o artista estava novamente internado em Salvador e se afastaria das redes sociais para se dedicar integralmente ao tratamento.
Segundo o comunicado divulgado após a morte, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B. Ele também se preparava para um transplante autólogo de medula óssea, procedimento que utiliza células do próprio paciente.
Bell Marques lamenta morte de Netinho e destaca força do cantor na luta contra o câncer
A morte de Netinho também provocou manifestações de pesar entre artistas e amigos que acompanharam sua trajetória na música baiana. Nas redes sociais, o cantor Bell Marques, outro ícone do axé music, prestou uma homenagem ao colega, destacando não apenas seu talento, mas também a coragem e a determinação demonstradas durante a luta contra a doença.
“Hoje perdemos um dos maiores cantores que a Bahia apresentou ao mundo”, declarou Bell Marques.
Na homenagem, o artista ressaltou que sua admiração por Netinho cresceu ainda mais nos últimos anos, especialmente diante dos desafios enfrentados pelo cantor durante o tratamento de saúde.
Bell também revelou que se impressionava com a capacidade de resistência do amigo, mesmo nos momentos mais difíceis.
“Muitas vezes, cá com meus botões, eu me perguntava: de onde Netinho tirava tanta força? Parecia inabalável. Sua capacidade de lutar, resistir e seguir em frente, mesmo diante de tantas adversidades, sempre me impressionou profundamente”, escreveu.
Ao finalizar a homenagem, Bell Marques destacou a lição de vida deixada pelo artista.
“Sua trajetória nos deixa uma grande lição: às vezes, só descobrimos a verdadeira dimensão da nossa força quando a vida nos coloca diante das maiores dificuldades.”

Na foto, o cantor Netinho junto da amiga e ex-vocalista da Banda Beijo, Gilmelândia que postou a imagem em uma rede social e deixou a mensagem:”🖤🖤 Só tenho Gratidão a você 😢”
Da Banda Beijo ao sucesso nacional
Netinho ganhou projeção nacional como vocalista da Banda Beijo, grupo que se destacou no cenário musical baiano no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Com uma mistura contagiante de ritmos, coreografias e apresentações em trios elétricos, o artista se tornou um dos principais representantes da expansão do axé music pelo Brasil.
Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória está uma apresentação internacional que entrou para a história da música baiana.
Netinho levou trio elétrico à Copa do Mundo de 1990, na Itália
No auge do sucesso com a Banda Beijo, Netinho protagonizou um feito inédito: levou um trio elétrico brasileiro à Itália durante a Copa do Mundo de 1990.
O equipamento atravessou o Oceano Atlântico de navio e levou aproximadamente dois meses para chegar ao país europeu. A estrutura foi utilizada em apresentações na cidade de Turim, antes e depois dos jogos da seleção brasileira, reunindo torcedores de diferentes nacionalidades.
As apresentações aconteceram nas proximidades do estádio Delle Alpi, transformando o tradicional trio elétrico baiano em uma atração internacional.
Em depoimento ao portal Uol sobre a experiência, Netinho relembrou a dimensão daquele momento:
“Transportamos um trio elétrico do Brasil para a Copa do Mundo na Itália. Foi a primeira vez que um trio saiu do país dessa forma, acompanhando a seleção brasileira em Turim, no estádio Delle Alpi, para fazer apresentações animadas antes e depois dos jogos para torcedores do mundo todo. Foi tudo surreal.”
O episódio simbolizou a força da música baiana e sua capacidade de ultrapassar fronteiras, muito antes da consolidação internacional do axé music.
Amigos e famosos se despediram do cantor nas redes socias.
“Milla” virou hino de uma geração
Se a Banda Beijo projetou Netinho nacionalmente, foi com a carreira solo que o cantor consolidou seu nome entre os grandes artistas da música brasileira.
Lançada nos anos 1990, “Milla” se tornou um verdadeiro fenômeno popular. A canção conquistou rádios, programas de televisão, festas e carnavais, permanecendo entre os sucessos mais lembrados do axé.
Com refrões populares e apresentações cheias de energia, Netinho fez parte de uma geração que transformou o Carnaval baiano em um dos maiores movimentos musicais do país.
O legado de Netinho
A morte de Netinho representa a perda de uma das vozes que ajudaram a construir a identidade do axé music e marcaram a memória afetiva de milhões de brasileiros.
Sua trajetória se confunde com a expansão da música baiana nos anos 1990, quando os trios elétricos, os grandes carnavais e os sucessos radiofônicos transformaram o gênero em fenômeno nacional.
Do Carnaval de Salvador aos palcos internacionais, passando pelo histórico trio elétrico na Copa da Itália, Netinho deixa uma contribuição importante para a música popular brasileira.
Sua voz permanece viva em canções que continuam embalando festas, carnavais e lembranças de uma geração.
Atualização da apuração: segundo o comunicado da equipe do cantor, o linfoma evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos. O velório e a cremação serão reservados a familiares e amigos próximos, conforme desejo do artista. Essas informações podem complementar a matéria.