Foto: © Joédson Alves/Agência Brasil
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de Montes Claros registrou inflação de 0,61% em setembro, acima dos 0,19% observados em agosto. O grupo alimentação foi o principal responsável pela alta, com contribuição de 0,39 ponto percentual. Os dados foram apresentados pela economista Vânia Vilas Bôas, com base no levantamento realizado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).
“O IPC tem justamente esse papel: acompanhar a evolução do custo de vida das famílias de Montes Claros, com renda entre um e seis salários mínimos”, explica a economista.
Realizada desde 1982, a pesquisa monitora os preços em aproximadamente 400 estabelecimentos do comércio local. Entre os sete grupos que compõem o índice, apenas artigos de residência apresentou variação negativa em setembro, influenciado pela redução de preços de alguns produtos eletroeletrônicos.
Alimentos pressionam a inflação
Entre os itens que mais contribuíram para a alta dos preços estão produtos in natura, como chuchu, batata inglesa, tomate, maçã e limão. Segundo Vânia Vilas Bôas, esses alimentos são particularmente sensíveis às condições de oferta e demanda e às variações climáticas.
“São produtos muito sensíveis à oferta e à demanda e que também sofrem influência das condições climáticas”, afirma.
Além dos hortifrutigranjeiros, o arroz e alguns produtos industrializados também registraram aumentos, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias.
Cesta básica sobe quase R$ 40
A cesta básica, que vinha apresentando variações negativas nos meses anteriores, registrou alta expressiva em setembro. O custo passou de R$ 571,37, em agosto, para R$ 610,87, em setembro, um aumento de R$ 39,50, equivalente a aproximadamente 6,91%.
Os principais responsáveis pela elevação foram produtos essenciais, como tomate, batata, feijão, arroz, óleo de soja e açúcar.
“Para uma família de menor renda, isso tem um impacto muito grande, porque estamos falando de produtos essenciais que não podem simplesmente deixar de ser consumidos”, destaca a economista.
Com a cesta básica custando R$ 610,87 e o salário mínimo de R$ 1.621, o trabalhador de Montes Claros comprometeu aproximadamente 37,68% da renda mensal para adquirir os 13 itens pesquisados. Para isso, foram necessárias 103 horas e 8 minutos de trabalho.
Expectativa para os próximos meses
A economista recomenda cautela na análise do comportamento dos preços e ressalta que a alta registrada em setembro não significa, necessariamente, o início de um processo contínuo de aceleração da inflação.
“Não podemos afirmar que essa inflação de setembro representa necessariamente o início de uma aceleração contínua. O próprio comportamento dos preços mostra que alguns produtos podem subir muito em determinado mês e, depois, apresentar acomodação”, explica.
Apesar disso, o aumento da cesta básica merece atenção, especialmente diante das altas expressivas do tomate, da batata e do feijão. De acordo com Vânia, esses produtos serão acompanhados de perto, considerando o período de entressafra.
Para outubro e os meses seguintes, a expectativa é de que o comportamento da inflação continue sendo influenciado pelos preços dos alimentos, pelas oscilações na oferta e pelos valores dos demais produtos e serviços que compõem o IPC.
Economista recomenda planejamento das compras
Com a aproximação do fim do ano, a orientação é que os consumidores também se preparem para as despesas sazonais, como as compras de Natal e outros gastos adicionais comuns nesse período.
“Recomendamos pesquisar preços, comparar estabelecimentos, planejar as compras e fazer substituições”, orienta a economista.
As medidas podem ajudar as famílias a administrar o orçamento diante das oscilações dos preços e do aumento do custo de vida.