unnamed (3)

Foto: Pedro Miranda / Arquivo fHist

A cerimônia de apresentação será realizada na Escola de Artes e Música Maestro Francisco Nunes, com entrada gratuita.

A cidade de Diamantina, que há mais de três séculos molda parte de sua identidade por meio da música, dá um importante passo para preservar, pesquisar e difundir essa riqueza.

Nesta quinta-feira (8 de outubro), às 20h, a Prefeitura de Diamantina, em parceria com o Festival de História (fHist), apresenta publicamente o projeto do Memorial da Música de Diamantina. A cerimónia de apresentação será realizada na Escola de Artes e Música Maestro Francisco Nunes, com entrada gratuita.

Concebido como um espaço cultural de caráter permanente, o Memorial pretende percorrer a cronologia musical da cidade desde o século XVIII e conectá-la à história da música brasileira. A estrutura prevê uma combinação de acervo documental, salas de projeção, exposições permanentes e temporárias, espaço educativo, palco para apresentações e uma rede de terminais interativos com tecnologia imersiva.

O equipamento será instalado num dos casarões históricos recuperados no Centro Histórico — como o antigo prédio da Intendência dos Diamantes ou o Hotel Roberto —, cujas obras estruturais integram as acções do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Prefeitura, com recursos do PAC 2.

Diálogo entre património e comunidade

Para o jornalista Otto Sarkis, um dos coordenadores do fHist, o projecto responde a uma procura antiga tanto de moradores quanto de visitantes. “A ideia de aproveitar os novos espaços públicos restaurados para equipamentos voltados à tradição cultural da cidade surge em um grupo que identificou essa demanda. Américo Antunes consolidou a proposta apontando para a musicalidade, característica marcante da cidade”, explica Sarkis, destacando também a prioridade de envolver os músicos e a comunidade local na cedência de depoimentos e documentos.

Reconhecida como Património Cultural da Humanidade pela Unesco em 1999, Diamantina guarda uma relação singular com o som. “A musicalidade desta população é marcante, diferente de tudo o que conhecemos. Desde os instrumentos de sopro de uma procissão até as bandas sinfônicas da Vesperata… Das serestas aos corais, esta pequena cidade tem uma musicalidade marcante”, ressalta.

Impulso ao turismo e combate à sazonalidade

Além de seu valor histórico e educativo, o Memorial surge como um vetor para a economia local. Um levantamento feito em 2025 pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) em parceria com a UFVJM indicou que 55,7% dos visitantes já estiveram na cidade anteriormente e que mais de 80% do público permanece entre um e três dias no município.

Somente em 2025, as 16 apresentações oficiais da Vesperata atraíram cerca de 19,2 mil espectadores. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Walter Cardoso (Juninho), um espaço permanente permite transformar um acervo de renome nacional num atrativo contínuo, disponível ao longo de todo o ano.

“Como a maioria dos visitantes permanece apenas entre dois e três dias, um novo equipamento cultural amplia as possibilidades de programação e incentiva o turista a estender sua estadia. É um investimento com efeito multiplicador sobre toda a economia local”, afirma Juninho.

Parceria e viabilização

O projeto do Memorial da Música de Diamantina é viabilizado por meio de um Termo de Cooperação Cultural firmado entre a Prefeitura e o fHist até julho de 2027, sem transferência direta de verbas públicas.

A estruturação e captação do projeto são conduzidas pela Stratégia Cultura e Comunicação via Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), sob a Proposta Cultural nº 566.339, estando aberto ao patrocínio de empresas públicas e privadas.

About The Author