Foto: Larissa Durães
A inflação em Montes Claros registrou a menor variação do ano em agosto, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) calculado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O índice ficou em 0,19%, abaixo dos 0,53% registrados em julho. No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, a inflação chega a 4,84%.
Apesar da desaceleração, o resultado não significa que os preços tenham diminuído de forma geral. De acordo com a economista Vânia Vilas Bôas, responsável pela análise do IPC, o dado indica que os preços da cesta de consumo pesquisada aumentaram em um ritmo menor.
“Inflação menor não significa preços menores. Se um produto já ficou caro e passa a subir mais lentamente, ele continua caro”, explica a economista.
Cesta básica registra queda
A cesta básica apresentou queda de 0,95% em agosto, passando de R$ 576,83 para R$ 571,37. A redução foi de R$ 5,46 e representou a segunda queda consecutiva.
Mesmo com o recuo, a cesta acumula alta de 1,29% nos oito primeiros meses de 2026.
Entre os produtos que contribuíram para a redução dos preços estão arroz, batata, carne, tomate, café e feijão.
Por outro lado, alguns alimentos registraram aumentos expressivos. Entre os produtos in natura, o limão teve alta superior a 66%, enquanto também ficaram mais caros itens como maracujá, mexerica e manga. A banana subiu mais de 14% e o óleo de soja teve reajuste de aproximadamente 2,72%.
Combustíveis ajudam a reduzir inflação
A desaceleração do IPC em agosto também foi influenciada pelos grupos Transporte e Comunicação. Entre os itens que apresentaram quedas expressivas estão etanol, óleo diesel e gasolina.
Segundo Vânia, produtos in natura costumam responder mais rapidamente às condições de oferta, clima, produção e comercialização. Por isso, a tendência é de que alguns alimentos continuem subindo enquanto outros apresentem redução.
“É bem possível que a gente veja alguns alimentos continuarem subindo enquanto outros apresentem redução”, afirma.
Alimentação ainda pesa no orçamento
Mesmo com o IPC geral em 0,19%, o grupo Alimentação registrou alta de 1,19% em agosto. Como os alimentos têm peso significativo no orçamento das famílias, o grupo contribuiu com 0,35 ponto percentual para o resultado final da inflação.
A situação é especialmente significativa para as famílias de baixa renda. Segundo o levantamento, um trabalhador que recebe o salário mínimo de R$ 1.621 comprometeu, em agosto, 35,25% da renda para comprar os 13 produtos considerados na cesta básica.
Preços devem continuar oscilando
Para os próximos meses, a expectativa é de uma inflação mais moderada do que a registrada no início de 2026, mas sem estabilidade generalizada dos preços.
A economista destaca ainda que o calor intenso registrado em setembro pode pressionar novamente os preços de frutas e verduras.
“Diante desse cenário, a recomendação para os consumidores é pesquisar preços antes das compras”. Segundo Vânia, as diferenças entre estabelecimentos, especialmente com a presença de atacarejos em Montes Claros, podem representar uma economia significativa no orçamento das famílias.