Foto: Guilherme Bergamini
O Largo Dom João, em Diamantina (Região Central), recebeu, na manhã de sábado (12/9/26), a solenidade de entrega da Medalha JK. Sob céu azul e tempo ensolarado, convidados e autoridades celebraram o legado do ex-presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira, que, neste ano, completa 124 anos de nascimento e 50 anos de morte.

Criada pela Lei 11.902, de 1995, a honraria destina-se a premiar o mérito cívico de personalidades e entidades que tenham prestado serviços de excepcional relevância à coletividade do município, do Estado e do País. A solenidade é tradicionalmente realizada na data de nascimento do ex-presidente, 12 de setembro, em Diamantina, onde ele nasceu.
A Medalha JK é concedida em dois graus: neste ano, 28 foram indicados para a Grande Medalha e 61 para a Medalha de Honra. O deputado Leleco Pimentel (PT) foi agraciado com a Medalha de Honra. A mesma honraria será entregue posteriormente para outros onze parlamentares: as deputadas Alê Portela (PL), Amanda Teixeira Dias (PL), Bella Gonçalves (PT), Carol Caram (Avante) e Marli Ribeiro (PL); e os deputados Adriano Alvarenga (PP), Caporezzo (PL), Delegado Christiano Xavier (PSD), Dr. Maurício (Novo), Eduardo Azevedo (PL) e Luizinho (PT). O deputado Gil Pereira (PSD) compôs o dispositivo de honra.
A oradora da solenidade, comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, falou sobre a importância das origens para a construção de grandes trajetórias, como a de JK. “Antes do presidente da República existiu o menino de Diamantina. Antes do homem que sonharia Brasília existiu um homem que aprendeu desde cedo sobre esperança e coragem”, lembrou.
Em nome dos agraciados, a coronel manifestou sentimentos de “honra, humildade e profunda gratidão” e desejou que a medalha signifique “um chamado para continuarmos firmes, um lembrete de que devemos devolver à sociedade parte de tudo aquilo que recebemos ao longo de nossa vida”.
O governador Mateus Simões (PSD) chamou a atenção para as boas práticas e ações que cada agraciado representa e para os significados da homenagem. “Que vocês possam fazer frutificar nos outros os exemplos que vocês dão ao receberem a medalha, fazer com que a medalha seja levada a uma potência inimaginável”, disse.
O prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli Paquito, elogiou o ex-presidente JK e a capacidade dele de vislumbrar o futuro e governar com planejamento e organização. “Hoje não celebramos apenas a memória de um grande brasileiro, mas uma maneira de compreender a vida pública”, afirmou. Ele também exaltou o Vale do Jequitinhonha, onde se situa Diamantina, por seu potencial econômico, turístico e social.
JK deixou legado de modernização e desenvolvimento
Juscelino Kubitschek de Oliveira nasceu em 12 de setembro de 1902. Graduou-se pela UFMG em medicina, área na qual trabalhou até 1940, ano no qual ano foi nomeado prefeito de Belo Horizonte. De 1951 a 1955, foi governador de Minas Gerais, destacando-se pelo desenvolvimentismo focado no binômio energia e transporte. Fundou a Cemig e priorizou a expansão rodoviária com o objetivo de promover maior integração do território mineiro e escoamento da produção local.
Em 1955, foi eleito presidente da República e governou até 1961, período no qual realizou o plano de metas de desenvolvimento conhecido pelo lema “50 anos em 5”. O plano priorizava autonomia energética, integração rodoviária, indústria de base, educação e alimentação.
A visão modernista de Juscelino influenciou, ainda, a arquitetura e o urbanismo. Com Oscar Niemayer idealizou o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Também é legado dele a construção de Brasília, inaugurada em 1960 com o objetivo de transferir a capital do Brasil do Rio de Janeiro para o Planalto Central.
Com a ascensão do regime militar, a partir de 31 de março de 1964, JK teve seus direitos políticos cassados e passou anos no exílio, retornando ao Brasil na década de 1970. O ex-presidente morreu em acidente rodoviário em 22 de agosto de 1976, o qual foi assunto de investigação da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Fotos: Foto: Guilherme Bergamini




