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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito que apurou o feminicídio de uma mulher de 42 anos, ocorrido em Montes Claros, no Norte de Minas, no dia 15 de agosto. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, de 51 anos, que permanece internado sob escolta policial após também ter atentado contra a própria vida.
De acordo com a delegada de Homicídio da Polícia Civil, Franciele Drummond, responsável pelas investigações, o laudo de necropsia apontou que a vítima morreu por asfixia provocada por esganadura. A investigação reuniu depoimentos de familiares, testemunhas e pessoas próximas ao casal, que relataram um relacionamento marcado por comportamento controlador, ciúme obsessivo e violência psicológica.
Segundo a Polícia Civil, o casal estava separado desde maio, mas o homem não aceitava o fim do relacionamento. Conforme apurado, ele passou a perseguir a vítima no local de trabalho e nas proximidades das residências de familiares.
Ainda segundo a investigação, o suspeito teria descoberto que a vítima participaria de um evento social acompanhada de uma amiga. Ele então teria ligado para que ela fosse até sua residência. Ao chegar ao imóvel, a vítima teria sido impedida de sair e, posteriormente, foi morta.
Antes do crime, o suspeito teria enviado mensagens a familiares informando que havia cometido o feminicídio e que atentaria contra a própria vida. Em seguida, ele teria efetuado um disparo contra a própria mandíbula. Familiares foram até a residência e acionaram socorro, e o homem foi encaminhado para atendimento médico.
Mesmo internado em estado grave, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do suspeito. O mandado foi cumprido na última sexta-feira, em Montes Claros. Atualmente, ele permanece internado sob escolta policial.
Violência psicológica e perseguição
A investigação também apontou que a vítima teria sido submetida a diferentes formas de violência psicológica, embora não tenha registrado boletins de ocorrência nem solicitado medidas protetivas relacionadas aos episódios.
Franciele Drummond explicou que a violência psicológica pode ocorrer por meio de comportamentos de controle, como impedir a vítima de realizar atividades habituais, controlar roupas e locais frequentados. No caso investigado, além desse tipo de violência, o homem também teria cometido o crime de perseguição mesmo após o fim do relacionamento.
Arma artesanal
Durante as investigações, a Polícia Civil também apurou a origem da arma utilizada pelo suspeito no atentado contra a própria vida. Segundo a delegada, ele possuía conhecimento técnico para a fabricação de armas e, provavelmente, teria produzido o próprio armamento.
Celulares são analisados
O celular da vítima desapareceu da residência dela no dia do crime. Conforme relatado à polícia, diversas pessoas entraram e saíram do imóvel naquele período, e o possível furto do aparelho segue sendo investigado.
Já o celular do suspeito foi entregue voluntariamente à Polícia Civil pelo irmão dele e será submetido à perícia. Segundo a delegada, o aparelho contém registros que comprovam a ligação feita para a vítima e as mensagens enviadas aos familiares antes do crime.
Inquérito será encaminhado ao Ministério Público
Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia contra o suspeito pelo crime de feminicídio.
A legislação prevê pena de 20 a 40 anos de prisão para o crime de feminicídio, conforme informado pela delegada.