Na foto, Áurea Gomes Barbosa, Maria do Carmo Barbosa e Vilma Gomes do Santos, todas da cidade de Turmalina. Foto: Alexandre Guzanshe/EM
Patrimônio cultural de Minas Gerais, as cerâmicas produzidas por artesãos do Vale do Jequitinhonha vão ganhar destaque internacional em Paris, na França. Cerca de 150 esculturas serão expostas entre os dias 10 e 14 de setembro na Maison & Objet Paris, uma das principais feiras internacionais de decoração, design, arte, lifestyle e negócios.
A participação dos artesãos mineiros representa uma oportunidade de levar a produção cultural do Vale do Jequitinhonha para um público internacional, valorizando técnicas, histórias e tradições transmitidas entre gerações.
Para o curador da exposição, Marco Aurélio Pulchério, a seleção das esculturas foi um processo desafiador e, ao mesmo tempo, extremamente gratificante. Segundo ele, apesar de a produção artesanal do Vale do Jequitinhonha já ser conhecida, conhecer de perto o trabalho dos artistas proporcionou uma experiência marcante.
“Ainda que o trabalho do Vale do Jequitinhonha já fosse conhecido de longa data, vivenciar de perto toda essa produção foi uma experiência marcante”, destaca Pulchério.
Obras também serão expostas em galeria de Paris
Além da participação na Maison & Objet Paris, as esculturas produzidas pelos artesãos do Vale do Jequitinhonha também estarão na Ricardo Fernandes Gallery, em Paris.
A exposição, intitulada “A Terra Modelada pela Arte – Vale do Jequitinhonha”, será realizada entre os dias 8 e 18 de setembro.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Sebrae Minas e o Governo de Minas Gerais, com o objetivo de ampliar a visibilidade da produção artesanal mineira e apresentar ao público internacional a riqueza cultural do Vale do Jequitinhonha.
Artesãs levam tradição familiar para a França
Entre as artistas que terão seus trabalhos apresentados em Paris está Andréia Andrade, nascida em Santana do Araçuaí. Ela é neta de Dona Izabel, uma das mais reconhecidas ceramistas mineiras, conhecida como a Dama do Barro do Jequitinhonha e criadora das famosas bonecas-moringa.
Andréia levará para a exposição suas tradicionais noivas, inspiradas nas obras produzidas por sua avó. A artesã também apresentará uma escultura especialmente criada em homenagem à mestra, retratando Dona Izabel enquanto modela uma cabeça de noiva.
Para Andréia, a participação na exposição representa a realização de um sonho e a oportunidade de apresentar ao mundo o legado construído por sua família através do artesanato.
“Participar dessa exposição representa a realização de um sonho. Em cada obra, estão presentes as histórias, as memórias e o legado de uma família que transformou a arte em patrimônio cultural e que agora segue conquistando novos espaços no mundo”, afirmou.
Artesã de Campo Alegre também representa o Vale
A comunidade de Campo Alegre será representada pela artesã Anísia Lima, que teve os primeiros contatos com o artesanato ainda na infância.
Aos 8 anos, observando a mãe trabalhar com o barro, Anísia começou a produzir suas primeiras peças utilitárias. Desde então, não abandonou o ofício e construiu uma trajetória marcada pela produção de bonecas e outras peças artesanais.
Ao longo dos anos, seu trabalho passou a ser apresentado em diferentes feiras e eventos nacionais do setor. As peças chegaram a cidades como Recife, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, ampliando o alcance de sua produção.
Agora, a artesã se prepara para realizar um dos principais sonhos de sua carreira: apresentar seu trabalho fora do Brasil.
“A participação em feiras e eventos nacionais do setor levou minhas bonecas longe. Chegamos a lugares que não imaginávamos, como Recife, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e tantos outros. E agora, o meu principal sonho será realizado, que é mostrar meu artesanato fora do Brasil”, festeja Anísia.
A presença das cerâmicas do Vale do Jequitinhonha em Paris reforça a importância da produção artesanal mineira e evidencia a força de uma tradição que atravessa gerações. As obras levam para o cenário internacional não apenas peças de cerâmica, mas também histórias, identidades e conhecimentos preservados pelas comunidades do Vale ao longo dos anos.