Empregos formais em junho. Foto: Larissa Durães
Montes Claros encerrou o mês de junho com saldo positivo de 443 empregos formais, resultado de 4.739 admissões e 4.296 desligamentos, conforme dados do mercado de trabalho formal divulgados pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). As contratações cresceram 6,8% em relação a maio, enquanto os desligamentos tiveram alta de apenas 1,6%, fazendo o saldo de empregos aumentar 113% na comparação com o mês anterior.
O desempenho coloca junho entre os três melhores meses de junho dos últimos dez anos para a geração de empregos formais no município.
No acumulado do ano, Montes Claros registrou a criação de 2.280 novos vínculos, crescimento de 2,41% no estoque de empregos formais em relação ao mesmo período anterior. O resultado supera o crescimento observado em todo o ano de 2025, quando a expansão foi de 1,35%.
A evolução também ficou acima dos índices registrados nos cenários nacional (1,96%), estadual (2,24%) e regional (2,46%). Com o desempenho, o município alcançou 97.019 vínculos formais ativos.
Serviços lideram geração de vagas
O setor de serviços foi o principal responsável pelo resultado positivo de junho, com saldo de 348 novas vagas. A indústria aparece em seguida, com 55 postos, enquanto a agropecuária registrou saldo de 43 empregos.
Na contramão, a construção civil teve saldo negativo de uma vaga e o comércio perdeu duas.
Entre os diferentes portes de empresas, as microempresas foram o principal destaque, com saldo de 442 vagas líquidas, praticamente equivalente ao resultado total do município. As grandes empresas também apresentaram desempenho positivo, com 89 novos postos.
Já as médias empresas registraram saldo negativo de 73 vagas, enquanto as pequenas empresas perderam 15 postos.
O destaque ficou especialmente entre as microempresas do setor de serviços, que sozinhas responderam por 429 vagas, cerca de 97% do saldo positivo registrado no mês. Na indústria, as grandes empresas geraram 51 novos postos.
Teleatendimento tem maior movimentação
Entre as atividades econômicas, Atividades de Teleatendimento apresentou a maior movimentação de trabalhadores em junho, com 984 admissões e 1.052 desligamentos. Apesar da elevada rotatividade, o segmento terminou o mês com saldo negativo de 68 postos.
Na sequência, aparecem Serviços de Engenharia, com 217 admissões, e Construção de Edifícios, com 182 contratações.
Entre os desligamentos, Construção de Edifícios ficou em segundo lugar, com 143 demissões, seguida por Serviços Combinados de Escritório e Apoio Administrativo, com 138 desligamentos.
Jovens e trabalhadores com ensino médio concentram novas vagas
O perfil das novas contratações mostra maior concentração de oportunidades entre jovens, homens e trabalhadores com ensino médio completo.
Os homens responderam por 84% do saldo de junho, com 371 novos postos, enquanto as mulheres tiveram saldo de 72 vagas. Entre as faixas etárias, os trabalhadores de 18 a 24 anos foram os mais beneficiados, com 292 novos empregos, equivalentes a 66% do saldo total.
A faixa de 60 a 69 anos foi a única a apresentar saldo negativo. Também chamou atenção a perda de 71 vagas entre mulheres de 25 a 39 anos.
Em relação à escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo concentraram 400 das 443 vagas criadas no mês, aproximadamente 90% do saldo total. Já os grupos com escolaridade igual ou inferior ao ensino fundamental completo registraram perda de postos.
As vagas também ficaram concentradas nas menores faixas salariais. Trabalhadores que recebiam entre 1,01 e 1,5 salário mínimo tiveram o melhor resultado, com saldo de 226 postos. Nas faixas acima desse valor, houve redução de empregos, principalmente entre trabalhadores com remuneração superior a dois salários mínimos.
Geração de empregos amplia massa salarial
O saldo positivo de junho também contribuiu para ampliar em R$ 814,1 mil a massa salarial dos trabalhadores de Montes Claros.
Outro ponto de destaque foi a aproximação entre os salários médios de admitidos e desligados. O comportamento é considerado incomum em relação aos últimos anos, período em que os novos trabalhadores normalmente ingressavam no mercado com remuneração inferior à dos profissionais desligados.
Apesar disso, permanece uma diferença significativa entre homens e mulheres. A renda média das admissões masculinas foi 16,6% superior à das admissões femininas.
Cenário estadual
O desempenho de Montes Claros ocorre em um cenário de melhora do mercado de trabalho em Minas Gerais. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego no estado caiu para 3,8%, ante 5% nos três primeiros meses do ano. No Brasil, o indicador ficou em 5,4%.
Apesar da redução do desemprego, Minas Gerais registrou retração de 0,9% no número de ocupados na comparação com o segundo trimestre de 2025. A indústria geral foi o principal ponto negativo, com queda de 8% na ocupação, enquanto agropecuária e construção apresentaram crescimento.
Os dados indicam que, embora o mercado de trabalho mineiro tenha apresentado melhora no trimestre, Montes Claros mantém trajetória positiva na geração de empregos formais, com destaque para o setor de serviços, as microempresas e a contratação de trabalhadores jovens e com ensino médio completo.