Um dos principais canais de denúncia é a Central de Atendimento à Mulher Ligue 180 . Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Minas Gerais registrou, em 2025, quatro vezes mais feminicídios do que latrocínios. Ao longo do ano, 177 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, enquanto 44 pessoas morreram vítimas de roubos seguidos de morte.
Os números fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no fim de julho, e colocam Minas Gerais entre os estados com maior número de feminicídios no país. O estado ficou em segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, que contabilizou 270 casos.
No caso dos latrocínios, Minas aparece na sétima posição, empatada com o Paraná. São Paulo lidera o ranking, com 131 registros.
Feminicídio é resultado de uma escalada de violência
A pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Beatriz Schroeder, alerta que o feminicídio, na maioria dos casos, não ocorre de forma isolada ou repentina. Segundo ela, a morte costuma ser o desfecho de uma sequência de violências que se intensifica ao longo do tempo.
Entre os sinais de alerta estão o controle sobre a rotina da mulher, ciúme excessivo, perseguição, ameaças e humilhações. Para a especialista, identificar esses comportamentos é fundamental para possibilitar uma intervenção antes que a violência evolua.
Beatriz também defende que a prevenção comece ainda na educação, com a discussão sobre relacionamentos saudáveis e violência contra a mulher nas escolas. Ela ressalta ainda a necessidade de preparar os diferentes serviços públicos para acolher e orientar mulheres em situação de violência.
Crimes têm características diferentes
Apesar de ambos resultarem na morte das vítimas, feminicídios e latrocínios possuem características distintas e exigem estratégias específicas de prevenção, segundo o coronel da reserva da Polícia Militar e especialista em segurança pública Gedir Rocha.
De acordo com ele, o latrocínio geralmente ocorre durante uma ação criminosa voltada ao roubo. Em situações desse tipo, a orientação é evitar reações, manter a calma e não realizar movimentos bruscos que possam aumentar o risco de violência.
Já o feminicídio costuma estar relacionado a um histórico de violência doméstica e de gênero. Para o especialista, o enfrentamento do problema exige mudanças culturais, educação e o fortalecimento da rede de proteção às mulheres.
Gedir Rocha destaca ainda a importância da integração entre as forças de segurança, assistência social, Judiciário, escolas e sociedade. Minas Gerais possui iniciativas como a Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica, que acompanha mulheres em situação de risco.
Estado afirma manter políticas de enfrentamento
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que desenvolve políticas contínuas de prevenção e enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher.
As ações incluem assistência, acolhimento, proteção às vítimas e incentivo à denúncia. No combate aos crimes violentos, incluindo os latrocínios, as forças de segurança atuam de forma integrada em ações de prevenção, inteligência, investigação e repressão qualificada.
Denúncias podem ser feitas pelo Ligue 180
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, vinculada ao Ministério das Mulheres.
O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo orientação e encaminhamento para serviços especializados.