Foto: Larissa Durães
A pesquisa de variação de preços realizada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) apontou um cenário mais favorável para os consumidores em julho de 2026.
O Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-MOC) ficou em 0,26%, abaixo dos 0,82% registrados em junho. No acumulado entre janeiro e julho, a inflação chegou a 4,09%.
O principal destaque do levantamento foi a queda de 8,29% no preço da cesta básica, composta por 13 produtos essenciais. O valor passou de R$ 628,96, em junho, para R$ 576,83 em julho, representando uma economia de aproximadamente R$ 52 para o consumidor.
Segundo a economista Vânia Vilas Bôas, o resultado traz uma perspectiva positiva para as famílias.
“O consumidor de Montes Claros agora em julho teve uma notícia positiva, principalmente quando nós olhamos para o custo da alimentação. O índice de preços ao consumidor de Montes Claros registrou 0,26% em julho. Uma desaceleração significativa quando nós olhamos o mês de junho, onde o índice havia registrado 0,82 ponto percentual”, explicou.
Menor peso no salário mínimo
A redução no valor da cesta básica também diminuiu a parcela do salário mínimo comprometida com a alimentação. Em junho, eram necessários 38,80% de uma renda de R$ 1.621 para comprar os 13 produtos. Em julho, o percentual caiu para 35,58%.
O tempo de trabalho necessário para adquirir a cesta também diminuiu de aproximadamente 106 horas e 12 minutos para 97 horas e 25 minutos.
“Quase 36% do salário mínimo continua sendo destinado apenas à alimentação básica, o que mostra para a gente que o peso da alimentação no orçamento das famílias ainda é muito significativo. Mas, comparando com junho, tivemos uma melhora importante”, destacou a economista.
Apesar dos números positivos, a percepção sobre os preços pode variar entre os consumidores. Para João Pedro da S. Costa, de 43 anos, morador de Montes Claros e recém-casado, a redução ainda não foi percebida de forma significativa no orçamento.
“A gente até acompanha essas notícias de que alguns produtos ficaram mais baratos, mas, no dia a dia, eu não sinto essa diferença no bolso. Como me casei recentemente, os gastos aumentaram e qualquer economia ajuda. Só que ainda parece que o dinheiro continua rendendo pouco, acho que tem que recuar ainda mais”, afirmou.
Batata e tomate puxam queda
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução da cesta estão a batata, com queda de aproximadamente 44%, e o tomate, que recuou cerca de 36%. Também ficaram mais baratos itens como feijão, café, açúcar, óleo e carne bovina.
Segundo a análise da Unimontes, a redução nos preços da batata e do tomate está relacionada principalmente ao aumento da oferta.
“Tivemos uma maior safra, aumento da produtividade e as condições climáticas favoreceram uma maior disponibilidade desses produtos no mercado. Consequentemente, se nós temos uma oferta maior, os preços tendem a cair”, explicou Vânia.
Por outro lado, alguns produtos registraram aumento, entre eles o pão de sal, a banana-caturra e a margarina.
Combustíveis também registram queda
O grupo transporte também contribuiu para o resultado de julho, principalmente em razão da redução dos preços dos combustíveis. O etanol caiu 4,93%, o diesel teve redução próxima de 2% e a gasolina recuou 0,90%.
“Essa queda dos combustíveis é muito importante, porque o transporte tem um efeito que vai além do consumidor que abastece o próprio veículo. O combustível interfere no custo do transporte de mercadorias, no custo de serviços e, consequentemente, pode influenciar outros preços da economia”, ressaltou Vânia.
Apesar da desaceleração geral, grupos como artigos de residência, saúde e cuidados pessoais, educação e despesas pessoais apresentaram aumentos.
“A inflação não se comporta da mesma maneira em todos os setores. Enquanto alguns produtos caem, nós temos outros que continuam aumentando. É justamente por isso que o acompanhamento mensal do IPC é tão importante”, afirmou a economista.
Para Vânia, o resultado de julho representa um cenário favorável para os consumidores de Montes Claros, especialmente para aqueles que recebem salário mínimo, embora o comportamento dos preços ainda precise ser acompanhado nos próximos meses.