Voto Feminino. Foto: Divulgação/ Câmara dos Deputados
As mulheres deverão exercer papel decisivo nas eleições de 2026 em Minas Gerais e também em Montes Claros. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que elas representam 52% do eleitorado mineiro, cerca de 8 milhões de votantes. Em Montes Claros, principal colégio eleitoral do Norte de Minas, essa participação é ainda maior: 54% dos 283.455 eleitores aptos a votar são mulheres.
Apesar da predominância feminina nas urnas, o professor da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e cientista político Gilmar Ribeiro dos Santos destaca que o voto das mulheres está longe de ser uniforme.
“As mulheres tornaram-se maioria do eleitorado há algum tempo e essa diferença vem aumentando. Hoje, elas representam cerca de cinco a seis pontos percentuais a mais que os homens. É um número significativo, mas esse voto não é hegemônico”, afirma.
Segundo o professor, reduzir o comportamento eleitoral apenas à questão de gênero é um equívoco. Na avaliação dele, fatores como renda, ideologia, religião e localização geográfica exercem influência ainda maior sobre a escolha dos eleitores.
“Além da divisão entre homens e mulheres, existem outras variáveis mais determinantes, como a renda, a questão ideológica e também a questão geográfica. O voto no Nordeste, por exemplo, é diferente do voto no Sul do país. Essas características acabam influenciando mais o comportamento do eleitor.”
Gilmar Ribeiro explica que a polarização política continua sendo um dos principais elementos das disputas eleitorais no Brasil.
“Na hora do voto não existem diferenças tão visíveis entre as faixas etárias. Já em relação às candidaturas majoritárias e à divisão entre esquerda e direita, observamos diferenças muito marcantes, principalmente desde 2018.”
Outro aspecto apontado pelo professor é a influência crescente da religião no cenário político.
“Existe uma predominância significativa de votos entre os evangélicos direcionados à direita. A religião passou a exercer uma influência importante nas eleições, especialmente de 2022 para cá.”
Ao comentar propostas que defendem a redução da participação feminina nas eleições, Gilmar avalia que elas fazem parte de um movimento observado em setores da extrema-direita internacional, mas encontram dificuldades para avançar no Brasil.
“Há um movimento que alguns pesquisadores chamam de extrema-direita e muitas das pautas reproduzem discussões dos Estados Unidos. Entre elas está a ideia de ‘uma família, um voto’, em que o voto seria representado pelo homem. Mas isso encontra muitas dificuldades no Brasil, porque as mulheres, inclusive nos setores da direita, estão cada vez mais presentes na política.”
O professor também chama atenção para as dificuldades enfrentadas pelos candidatos do interior do Estado, especialmente do Norte de Minas.
“As candidaturas do interior enfrentam concorrentes com maior poder econômico, principalmente da região central do Estado. Em um cenário cada vez mais voltado para a internet e as redes sociais, quem possui mais recursos acaba tendo uma vantagem significativa”, ressalta.
Montes Claros concentra um dos maiores eleitorados de Minas
Montes Claros possui o sexto maior colégio eleitoral de Minas Gerais, atrás apenas de Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Juiz de Fora e Betim. O município é considerado estratégico para as eleições estaduais por concentrar o maior eleitorado do Norte de Minas.
O perfil dos eleitores também revela predominância feminina em praticamente todas as faixas etárias. O maior grupo de votantes está entre pessoas de 40 a 44 anos, com 29.433 eleitores aptos a votar, sendo mulheres (15.881) e homens (13.552).
Mulheres ainda são minoria nas chapas majoritárias
Embora representem a maioria do eleitorado, as mulheres continuam ocupando pouco espaço nas disputas pelos principais cargos políticos em Minas Gerais. Entre as candidaturas ao Governo do Estado anunciadas até o momento, apenas uma é encabeçada por uma mulher, Indira Xavier (UP). Nesta semana, o candidato Gabriel Azevedo (MDB) anunciou a vereadora montes-clarense Maria Helena de Quadros Lopes, como candidata a vice-governadora.
Na avaliação do cientista político e diretor do Instituto Ver, Malco Camargos, além da representatividade, o eleitorado feminino costuma analisar as políticas públicas sob uma perspectiva mais ampla, observando impactos na educação, na segurança, na mobilidade e no cotidiano das famílias. Segundo ele, pesquisas qualitativas mostram que as mulheres avaliam aspectos práticos da gestão pública que muitas vezes passam despercebidos por parte do eleitorado masculino.
Intenções de voto
Alexandre Kalil (PDT): 15%
Patrus Ananias (PT): 13%
Mateus Simões (PSD): 9%
Gabriel Azevedo (MDB): 6%
Vittorio Medioli (PL): 3%
Ben Mendes (Missão): 2%
Maria da Consolação (PSOL): 1%
Indecisos: 27%
Branco/Nulo/Não vai votar: 24%
Em cenário simulado pela pesquisa na última quarta-feira (29), Gabriel Azevedo é o único candidato ao Governo do Estado que possui mais intenções de voto entre as mulheres que entre os homens (Reprodução/Pesquisa Genial/Quaest).
Com maioria nas urnas e participação cada vez maior nos debates públicos, as mulheres deverão exercer influência decisiva nas eleições de 2026. Para o cientista político Gilmar Ribeiro em Montes Claros, onde elas representam mais da metade do eleitorado, esse protagonismo tende a ter peso ainda maior na definição dos rumos políticos da cidade, do Norte de Minas e de todo o Estado.
*Dados do TSE e Pesquisa Genial/Quaest e Jornal Hoje em Dia