Requeijão Moreno fortalece produtores do Norte de Minas

Foto: Divulgação

Portaria do IMA cria regras para a produção, garante preservação do modo artesanal e permite acesso ao Selo ARTE, impulsionando a economia regional

 

O Requeijão Moreno Artesanal, um dos maiores símbolos da gastronomia do Norte de Minas, passa a contar com uma regulamentação oficial que estabelece padrões de produção, preserva o modo tradicional de fabricação e amplia as oportunidades de comercialização em todo o Brasil. A medida, formalizada por meio de Portaria do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), cria o Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) do produto e representa um marco para centenas de famílias produtoras da região.

A regulamentação reconhece oficialmente um saber-fazer transmitido de geração em geração e estabelece critérios técnicos que mantêm a identidade do produto sem descaracterizar sua produção artesanal. Entre as exigências estão o uso de leite cru de qualidade, coalhada ácida natural, fusão prolongada da massa, utilização de manteiga de garrafa ou creme de leite frito e o emprego exclusivo de bicarbonato de sódio como neutralizante.

Além de preservar características tradicionais, como o preparo em fogão a lenha e o cozimento em sua própria gordura, as novas regras estabelecem padrões sanitários, boas práticas de fabricação e o registro das queijarias junto ao IMA ou aos Serviços de Inspeção Municipais (SIM), garantindo mais segurança aos consumidores.

Comercialização em todo o país

Com a adequação às novas normas, os produtores poderão obter o Selo ARTE, certificação federal destinada aos alimentos artesanais de origem animal. O reconhecimento permitirá que o Requeijão Moreno seja comercializado em todo o território nacional, agregando valor ao produto e ampliando o acesso a novos mercados.

Para o secretário municipal de Aceleração Econômica de Montes Claros, Glenn Andrade, a regulamentação representa um marco para a cadeia produtiva do Requeijão Moreno no Norte de Minas.

“Essa é talvez a conquista mais significativa dos últimos cem anos para os produtores de Requeijão Moreno do Norte de Minas. Estamos oficializando um modo de fazer que faz parte da identidade do nosso povo, preservando uma tradição passada de geração em geração”, afirmou.

Andrade destacou ainda que a administração do prefeito Guilherme Guimarães tem desenvolvido ações voltadas à valorização dos produtos típicos da região, fortalecendo toda a cadeia produtiva, desde os produtores rurais até comerciantes, consumidores e o setor turístico.

Entre as iniciativas, o secretário citou a revitalização do Mercado Municipal de Montes Claros e a implantação do programa Sabores do Gerais, que busca promover a gastronomia regional e ampliar a visibilidade de produtos tradicionais do Norte de Minas.

Dados da Emater-MG mostram que Montes Claros produz cerca de 285 toneladas de Requeijão Moreno por ano. Em todo o estado, a produção ultrapassa 850 toneladas anuais, envolvendo aproximadamente mil agroindústrias familiares.

Fortalecimento da economia regional

A expectativa é que a regulamentação impulsione a geração de renda no campo. Em Minas Gerais, mais de 840 famílias produzem Requeijão Moreno, principalmente na região da Serra Geral, em municípios como Porteirinha, Serranópolis de Minas, Riacho dos Machados e Mato Verde.

Com a possibilidade de venda em outros estados, o produto passa a disputar espaço em mercados gourmet e especializados, aumentando seu valor agregado e fortalecendo a agricultura familiar.

O secretário informa que os envolvidos no processo destacam que o Selo ARTE beneficia toda a cadeia produtiva, desde os produtores até os comerciantes, ao oferecer segurança jurídica, ampliar o mercado consumidor e valorizar um alimento tradicional da cozinha geraizeira.

Sabores do Gerais e Centro de Referência

A regulamentação também integra as ações do programa Sabores do Gerais, desenvolvido pela Prefeitura de Montes Claros para promover a gastronomia regional.

Entre os projetos previstos está a implantação do Centro de Referência do Cerrado e das Tradições Geraizeiras, no Armazém da Estação Ferroviária. O espaço reunirá produtores, instituições e órgãos públicos para discutir políticas de fortalecimento de produtos tradicionais como o Requeijão Moreno, carne de sol serenada, doce de leite, farinha de terreiro, café do Cerrado e frutos nativos.

De acordo com Glenn Andrade, o objetivo é transformar o centro em um espaço permanente de valorização da cultura alimentar do Norte de Minas.

Próximos passos

A Prefeitura de Montes Claros informou que atuará em parceria com a Emater-MG, IMA, Secretaria de Estado de Agricultura (Seapa), Senar e Aproqueijo para orientar os produtores na adequação às novas normas.

As ações previstas incluem uma força-tarefa para certificação das queijarias, o mapeamento dos estabelecimentos aptos ao registro, o incentivo à participação em eventos como a ExpoQueijo Brasil e parcerias com universidades para viabilizar uma futura Indicação Geográfica (IG) do Requeijão Moreno Artesanal.

Paralelamente, o município também investe no fortalecimento da agropecuária por meio do Programa Alysson Paolinelli, que contempla inseminação artificial para melhoramento genético do rebanho bovino, distribuição de kits de irrigação e incentivo à apicultura. “A expectativa é que o aumento da produtividade e da qualidade do leite contribua para fortalecer ainda mais a produção do Requeijão Moreno e consolidar o alimento como um dos maiores patrimônios gastronômicos de Minas Gerais”, finaliza Andrade.

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