oleo de canabis

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O objetivo principal foi estudar a Cannabis em um contexto real, avaliando benefícios ou malefícios do uso da planta inteira com THC, visto que ainda não existem muitos estudos sobre o tema, especialmente com óleos de THC e CBD em populações diversas.

 

 

Os efeitos do uso medicinal do óleo de Cannabis na qualidade de vida de pacientes com diferentes doenças neurodegenerativas (como Parkinson e Alzheimer), psiquiátricas, musculoesqueléticas e oncológicas foram avaliados em estudo desenvolvido pela médica Jeanniny Figueiredo ao concluir o curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGB) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

Ela desenvolveu o estudo intitulado “Desfechos de Qualidade de Vida e Sono no Mundo Real em Pacientes Tratados com Óleo de Cannabis Rico em THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol): um estudo transversal”. A dissertação de mestrado, que teve como orientadora a professora Vanessa de Andrade Royo, foi apresentada no dia 15 de junho.

Jeanniny Figueiredo é médica em Saúde Pública e Saúde Coletiva e vem realizando pesquisas sobre o uso medicinal do óleo de Cannabis há vários anos. Ela é pós-graduada em Medicina e em Preceptoria pelo Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo.

A médica e pesquisadora explica que participaram do estudo sobre o uso do óleo de Cannabis 71 pacientes com múltiplas patologias, incluindo doenças neurodegenerativas, psiquiátricas, musculoesqueléticas e oncológicas, além de crianças e adultos neurodivergentes. Foram avaliados pacientes submetidos ao uso dos óleos de tetrahidrocanabinol e canabidiol por meio de uma organização não governamental (ONG) de Franca (SP).

As patologias predominantes foram neurodegenerativas (Parkinson e Alzheimer), psiquiátricas (autismo e TDAH) e musculoesqueléticas (dor crônica e fibromialgia), historicamente desafiadas pelos limites dos tratamentos convencionais.

A pesquisadora explica que o trabalho científico teve como objetivo principal “estudar a Cannabis em um contexto real, avaliando benefícios ou malefícios do uso da planta inteira com THC, visto que ainda não existem muitos estudos sobre o tema, especialmente com óleos de THC e CBD em populações diversas”.

“A pesquisa, realizada em contexto de vida real, identificou desfechos mais favoráveis entre pacientes com uso prolongado, especialmente aqueles em tratamento há mais de três anos com óleos de quimiotipo I, ricos em THC, quando comparados a pacientes em uso por curto período”, explica a autora do estudo.

“Os resultados também apontaram melhor resposta clínica em subgrupos específicos, incluindo idosos com 80 anos ou mais, crianças com transtorno do espectro autista nos níveis de suporte 2 e 3 e pacientes autodeclarados negros, que apresentaram melhores indicadores quando comparados aos autodeclarados brancos”, relata Jeanniny Figueiredo.

A pesquisadora ressalta ainda que os achados reforçam a importância de ampliar a investigação científica sobre o uso longitudinal da Cannabis medicinal, especialmente em populações frequentemente sub-representadas nos estudos clínicos, “contribuindo para uma prática médica mais individualizada, segura e baseada em evidências do mundo real”.

Ela lembra, ainda, que, como produtos resultantes da pesquisa, foram elaborados quatro artigos científicos e confeccionadas propostas de dois cursos para capacitar profissionais da área da saúde para a prescrição adequada e segura da Cannabis medicinal.

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