Montes Claros recebe 1ª Mostra Cine Queer com programação gratuita e foco na diversidade

Foto: Divulgação

Evento reúne cinema, debates e intervenções artísticas entre os dias 2 e 6 de junho em diferentes espaços da cidade

 

Montes Claros recebe, a partir desta terça-feira (2), a 1ª Mostra Cine Queer, iniciativa que busca ampliar a visibilidade da produção audiovisual com temática LGBTQIAPN+ e promover espaços de diálogo, formação e expressão cultural. Realizado pelo projeto Cinema Comentado Cine Clube, o evento contará com uma programação gratuita e diversificada, apresentando diferentes perspectivas do cinema queer. A mostra foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG Municipal), por meio do Edital 010, e será realizada entre os dias 2 e 6 de junho em diferentes espaços da cidade.

A proposta da mostra é valorizar a diversidade por meio do audiovisual, reunindo produções de diferentes gêneros e abordagens. A programação inclui filmes, debates e atividades culturais que buscam ampliar o acesso do público a narrativas relacionadas às questões de identidade, representatividade e inclusão.

De acordo com o jornalista e professor universitário Elpidio Rocha, integrante do Cine Clube desde sua fundação e atualmente responsável pela área de memória e organização do acervo do projeto, o objetivo é apresentar novas formas de produzir e compreender o cinema.

“A Mostra Cine Queer vem justamente para valorizar outras formas e outras maneiras de se ver e fazer cinema. O objetivo é trazer filmes de diversos diretores e diretoras que trabalham essa abordagem, passando por gêneros que vão da comédia ao documentário e até mesmo pela experimentação artística em uma perspectiva cinematográfica”, afirmou.

Segundo Elpidio, o cinema queer tem conquistado cada vez mais espaço nas produções contemporâneas e reúne uma ampla diversidade de narrativas e estilos. “Existe toda uma discussão e representação dentro do que se chama cinema queer. A proposta é mostrar todas essas possibilidades, visões e abordagens, com uma seleção de filmes que também oferece diversidade na produção e na maneira como os temas são tratados”, destacou.

A programação conta ainda com um pré-lançamento que terá a exibição do filme “A Miss”, comédia brasileira lançada em 2026 que aborda a busca pelo título de miss e os impactos dessa trajetória no ambiente familiar.

Para o professor, além de democratizar o acesso à cultura, a mostra contribui para a reflexão sobre respeito e convivência social. “A arte é uma forma de quebrar barreiras, discutir preconceitos e reforçar a diversidade, a abertura e a aceitação que todos merecem. O objetivo é oferecer visibilidade para que as pessoas possam superar ideias pré-concebidas e valorizar a convivência dentro da sociedade”, disse.

Elpidio também ressaltou a importância da representatividade no cenário cultural contemporâneo. “Nos últimos anos temos vivido um processo de recuperação da visibilidade das chamadas minorias. Assim como existe o cinema indígena e o cinema negro, existe também o cinema queer, que merece espaço e reconhecimento”, completou.

Consultora empresarial e artista Carla Maria Santos Arruda. Foto: arquivo pessoal

Além das exibições cinematográficas, a mostra contará com uma intervenção artística da consultora empresarial e artista Carla Maria Santos Arruda. Convidada pelo fotógrafo, artista e drag queen Lucas Viggi, organizador do evento, Carla apresentará uma performance que dará origem a uma instalação artística no Museu Regional.

Segundo a artista, o trabalho propõe uma reflexão sobre a forma como a população trans é percebida pela sociedade. “Eu fui convidada para participar de uma exposição, mas resolvi fazer uma intervenção artística que vai se transformar em uma instalação no museu. É uma cena que fala sobre uma das visões da população trans que, na minha percepção, tem sido apagada”, explicou.

Carla destaca que a proposta busca provocar debates sobre visibilidade e pertencimento. “Eu quero trazer a não banalização dessa percepção da comunidade trans vista pela comunidade cisgênera”, afirmou.

Para ela, a arte também tem papel fundamental na construção do diálogo social. “A nossa existência gera incômodos na sociedade. É interessante que a sociedade seja incomodada em alguns momentos para lembrar o custo desse incômodo para a população trans. O que é um incômodo para a população cisgênera acaba sendo um problema muito grande para nós”, declarou.

A intervenção será realizada durante o lançamento oficial da mostra, no dia 4 de junho, no Museu Regional. Após a apresentação, a instalação permanecerá em exposição por um período no local.

A artista reforçou o convite para que a população participe da programação. “Eu acho importante ver arte queer e arte trans. É preciso normalizar essas produções e compreender que as nossas existências também geram frutos artísticos”, concluiu.

Todas as atividades da 1ª Mostra Cine Queer são gratuitas e abertas ao público.

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