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Foto: PCMG

Investigação em Janaúba aponta que suspeito usava estrutura de grande grupo empresarial para aplicar fraudes na compra e venda de gado no Norte de Minas; prisão ocorreu em São Paulo

 

 

JANAÚBA – A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, nesta quinta-feira (21/5), a operação “Pecus Fraudis”, que resultou na prisão de um advogado de 40 anos. Ele é investigado por liderar um esquema criminoso de fraudes milionárias no setor de compra e venda de gado no Norte de Minas. O suspeito foi localizado e detido na capital paulista, em uma ação conjunta com a Polícia Civil do Estado de São Paulo.

As investigações, conduzidas pela delegacia da PCMG em Janaúba, apontam que o homem começou a atuar no ramo pecuário regional em agosto do ano passado, mas intensificou os golpes entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Nesse intervalo, dezenas de produtores rurais, comerciantes e transportadores procuraram as autoridades para denunciar prejuízos que, somados, já ultrapassam R$ 2,5 milhões.

Além do mandado de prisão preventiva, o Poder Judiciário autorizou o bloqueio e sequestro de bens do investigado, bem como mandados de busca e apreensão. No endereço do suspeito, em São Paulo, foram apreendidos documentos, cheques e outros materiais que subsidiarão a continuidade do inquérito.

 

Dinâmica do esquema milionário

Segundo as apurações, o advogado utilizava o nome, uniformes, crachás, veículos e a própria estrutura física de um grande grupo empresarial de propriedade de um familiar. A tática servia para passar uma imagem de solidez financeira e conquistar a confiança dos pecuaristas da região.

A delegada responsável pelo caso, Glenia Balieira Torres Aquino, explicou que o investigado comprava grandes lotes de bois utilizando cheques sem fundos, emitidos frequentemente em nome de parentes ou terceiros.

“Em alguns casos, realizava pagamentos parciais via Pix para reforçar a credibilidade das negociações e induzir as vítimas em erro”, explicou a delegada.

Assim que os animais eram retirados das propriedades das vítimas, eram rapidamente transportados para fazendas que funcionavam como base logística do grupo. De lá, o gado era revendido com agilidade em leilões agropecuários e comércios locais, antes mesmo que as vítimas pudessem tentar compensar os cheques recebidos.

 

Crimes investigados

A Polícia Civil reuniu um vasto conjunto de provas, que inclui notas fiscais, registros agropecuários, relatórios de inteligência financeira e Guias de Trânsito Animal (GTA). Os elementos colhidos indicam a prática dos crimes de estelionato qualificado, lavagem de capitais e associação criminosa.

As frentes de investigação seguem ativas com o objetivo de identificar outros possíveis integrantes do esquema, rastrear o destino dos ativos financeiros obtidos de forma ilícita e mapear toda a cadeia de receptação e comercialização posterior dos animais.

 

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