Inflação em Montes Claros sobe para 0,91% em abril e pressiona orçamento das famílias

Foto: Larissa Durães

Alta nos preços dos alimentos e combustíveis impulsiona índice calculado pela Unimontes; acumulado do ano já chega a 2,64%

 

A inflação em Montes Claros voltou a acelerar em abril de 2026 e aumentou a pressão sobre o orçamento das famílias, principalmente das camadas de menor renda. É o que aponta a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), realizada pelo Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros.

De acordo com o levantamento, o índice registrado em abril foi de 0,91%, acima dos 0,70% contabilizados em março. Com o novo resultado, a inflação acumulada no ano já soma 2,64%.

Segundo a economista Vânia Vilas Bôas, responsável pela análise do IPC, os principais responsáveis pela alta foram os grupos alimentação e transporte, que continuam impactando diretamente o custo de vida da população.

“Os hortifrutigranjeiros e alguns produtos industrializados apresentaram elevação de preços, influenciados por questões climáticas e pelo aumento dos custos de produção, transporte e distribuição”, explicou.

No setor de transportes, o aumento dos combustíveis, como gasolina, diesel e etanol, também contribuiu para o avanço da inflação no município.

Ainda conforme a economista, fatores externos seguem influenciando o cenário econômico nacional. A instabilidade no mercado internacional e a pressão cambial afetam o preço de commodities, energia e insumos importados, refletindo em diferentes setores da economia brasileira.

Apesar do cenário de alta, a expectativa é de uma desaceleração gradual da inflação ao longo do segundo semestre de 2026. Segundo Vânia, isso dependerá principalmente do comportamento das safras agrícolas, das condições climáticas, da estabilidade do câmbio e das decisões da política monetária nacional.

Para a dona de casa Maria Aparecida Santos, moradora do bairro Santos Reis, a alta nos preços já alterou a rotina da família. “A gente vai ao supermercado e percebe que o dinheiro compra cada vez menos. Carne, arroz, frutas e até o café aumentaram muito. Estamos tendo que cortar algumas coisas para conseguir fechar as contas do mês”, relatou.

“O impacto é considerado ainda mais severo para as famílias de baixa renda, já que os alimentos representam uma parcela significativa das despesas domésticas. O aumento contínuo da cesta básica, aliado ao alto nível de endividamento e aos juros elevados, tem reduzido o poder de compra dos salários e ampliado as dificuldades financeiras da população”, conclui a economista.

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