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Os golpes virtuais seguem em crescimento em Minas Gerais e têm preocupado autoridades de segurança pública. Dados da Polícia Civil de Minas Gerais apontam que, apenas nos três primeiros meses de 2026, foram registrados 14.957 casos de estelionato eletrônico no estado — uma média de 166 ocorrências por dia, ou cerca de seis por hora.
Entre os crimes mais recorrentes estão roubos de contas de WhatsApp, falsas centrais de atendimento bancário, lojas virtuais fictícias, além de e-mails, mensagens de texto e transferências via Pix fraudulentas. O avanço da digitalização das atividades cotidianas, intensificado desde a pandemia da Covid-19, tem contribuído para o aumento desse tipo de crime.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG), além de mais frequentes, as fraudes digitais também estão cada vez mais sofisticadas. Criminosos utilizam páginas falsas que imitam instituições financeiras, links maliciosos enviados por aplicativos de mensagens e técnicas de engenharia social para induzir vítimas ao compartilhamento de dados pessoais, senhas e informações bancárias.
Um dos golpes que mais têm chamado atenção é a clonagem de contas em aplicativos de mensagens. Em um caso recente registrado no estado, uma vítima recebeu mensagens de um número desconhecido com a foto da irmã, que estava viajando. Utilizando o histórico de conversas e reproduzindo o estilo de escrita da familiar, os criminosos solicitaram uma transferência urgente de R$ 1,5 mil via Pix. O valor foi enviado antes que a fraude fosse descoberta.
De acordo com a Sejusp, situações como essa reforçam a necessidade de atenção diante de mudanças no comportamento digital de contatos conhecidos, principalmente em casos de pedidos urgentes ou fora do padrão habitual.
Diante do aumento das ocorrências, a Sejusp, em parceria com o Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), lançou um guia prático de segurança digital voltado à prevenção de crimes cibernéticos e à proteção de dados pessoais.
O material reúne orientações sobre ameaças como phishing, malware, engenharia social, ransomware e deepfakes, além de apresentar sinais de alerta, formas de identificação e medidas de prevenção. Entre as recomendações estão a verificação de remetentes, cautela ao clicar em links, não compartilhamento de informações sensíveis e o uso de antivírus e backups regulares.
O guia também orienta sobre como agir em casos de tentativas ou confirmação de golpes, incluindo preservação de provas e acionamento das autoridades competentes, como a Polícia Militar e a Polícia Civil.
Para o subsecretário de Integração da Segurança Pública da Sejusp-MG, Christian Vianna de Azevedo, o enfrentamento ao crime organizado passa também pelo combate às fraudes digitais.
“Combater o crime organizado hoje é entender sua lógica econômica e tecnológica: seguir o dinheiro, proteger dados e reduzir, de forma estruturada, sua capacidade de financiamento”, destacou.