Casos de estupro de vulnerável cometidos por menores crescem em Minas Gerais

Foto: freepik

Aumento de 145% em cinco anos está ligado à maior notificação dos crimes; especialistas defendem educação e acompanhamento multiprofissional

 

O número de processos envolvendo estupro de vulnerável cometidos por menores de 18 anos registrou forte crescimento em Minas Gerais nos últimos cinco anos. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostram que os casos passaram de 243, em 2021, para 597 em 2025, representando um aumento de 145%.

Somente nos dois primeiros meses de 2026, já foram contabilizados 105 processos desse tipo no estado, o que equivale a uma média de dois casos por dia. Os registros envolvem vítimas consideradas vulneráveis, como crianças menores de 14 anos, pessoas sem discernimento sobre o crime ou que não conseguiram oferecer resistência.

Especialistas apontam que o aumento não necessariamente indica maior incidência da violência, mas sim um avanço nos mecanismos de denúncia. Segundo a pesquisadora Cassandra Pereira França, do Núcleo de Pesquisas Cavas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), houve um fortalecimento das campanhas de proteção e conscientização nos últimos anos.

“Esse crescimento reflete, principalmente, uma maior disposição das vítimas em denunciar. Não significa, necessariamente, que a violência aumentou na mesma proporção, mas que há mais notificações”, explica.

A pesquisadora também destaca mudanças no comportamento dos adolescentes envolvidos nesses casos, associadas ao acesso facilitado a conteúdos adultos e à ausência de barreiras no ambiente digital. De acordo com ela, a iniciação sexual tem ocorrido cada vez mais cedo, muitas vezes influenciada por referências distorcidas presentes em sites pornográficos e redes sociais.

Outro ponto destacado é o papel da legislação brasileira, que tem endurecido o enfrentamento desses crimes, além da necessidade de acompanhamento tanto das vítimas quanto dos adolescentes infratores por equipes multiprofissionais.

Para a especialista, a solução a longo prazo passa pela educação. “As escolas ainda têm espaço limitado para tratar da educação sexual, e muitos pais encontram dificuldade em abordar o tema. A sociedade também precisa discutir formas de controlar o acesso irrestrito a conteúdos inadequados nas redes”, afirma.

Em nota, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) reafirmou o compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes. O órgão informou que vem ampliando o cofinanciamento dos serviços de proteção social especial, fortalecendo a atuação dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) no acolhimento e acompanhamento de vítimas de violência.

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