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Podemos observar com facilidade, que quando existe uma força externa que te faz trabalhar, se exercitar e te reconhecer; essa força também pode falar quando o trabalho está concluído e quando é hora de descansar, mas e quando essa força é interna?
A violência intrapsíquica também existe e geralmente se apresenta de formas conhecidas: depressão, ansiedade, pânico, estafa ou até mesmo o TDAH (Byung-Chul Han,2011). A autoexploração é eficiente, já que esses limites ficam invisíveis, o desempenho aumenta e o sentimento de liberdade faz com que entremos na corrida maluca pelo capital e consumo. E do outro lado temos a insuficiência, o que leva a auto agressões e até autoextermínio.
O que tenho visto na clínica, são indivíduos que sentem que sua vida é uma empresa, e que precisam estar o tempo todo entregando padrões elevados em todas as áreas da vida, por mais que as intenções sejam positivas, não é possível estar no topo do mundo o tempo inteiro, então qualquer frustração mínima que seja, acaba fortalecendo uma crença de fracasso e o sentimento de não tentou o suficiente.
E claro que as pessoas não devem desistir de seus sonhos, a questão é o que o processo traz de consequência, algumas pessoas se exploram em níveis que não conseguem ter tempo para descanso ou lazer, algumas colocam padrões praticamente inalcançáveis para si mesmo e o perfeccionismo a impede de agir, o que colabora para o processo depressivo, já que a visão de si mesmo fica prejudicada e tende a ser voltada para a crítica e a cobrança.
Hoje, tentamos eliminar tudo o que é diferente ou difícil e como foi dito no texto anterior a esse, às vezes fugir do sofrimento, te leva a mais sofrimento, quantas coisas uma pessoa com ansiedade ou pânico, deixa de viver, por medo extremo que qualquer coisa mínima saia de seu controle e como é difícil construir um caminho de volta para a sua essência (utilizado pela hierarquia de exposição social). Como você é seu próprio mestre, não há um limite para o quanto você deve produzir. O “sujeito de desempenho” na esperança de ser bem sucedido, abre mão de seu descanso e tempo com familiares e lazer, para seu sucesso e nem isso está garantido. Em um mundo de inseguranças, se manter no topo é tão desgastante quanto chegar nele, o que consome a psique gerando esgotamento (Burnout).
O trabalho é mais comum, porém na clínica temos casos de todos os tipos, o desespero de dar conta de todas as coisas, aparecem até em adolescentes, o que tem levantado apontamentos de como se cria uma geração depressiva e ansiosa.
Você não tem um chefe gritando no seu ouvido, mas você trabalha 24 horas por dia porque “quer” ter sucesso. É muito comum na clínica você ouvir “ mas ninguém me cobra, apenas eu mesma”, e quando perguntamos onde quer chegar ou quando será o suficiente, não ouvimos respostas, porque o sujeito de desempenho, odeia a conclusão (Byung-Chul Han,2011).