O diretor-geral da Polícia Penal e o Sec. de Est. de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco - Foto: Larissa Durães
Nesta quinta-feira (9), a Polícia Penal de Minas Gerais realizou uma coletiva de imprensa em Montes Claros para anunciar a adoção de regras mais rígidas para presos ligados a facções criminosas. As mudanças limitam a comunicação com o mundo externo e ampliam o controle dentro da unidade prisional de Francisco Sá e em mais seis presídios no Estado.
De acordo com o diretor-geral da Polícia Penal de Minas Gerais, Leonardo Mattos Alves Badaró, a unidade de Francisco Sá já conta com bloqueadores de celular e circuito fechado de televisão com monitoramento completo da área. Outras medidas serão implantadas, como a restrição de entrada de alimentos por terceiros.
“Além do monitoramento de todo o perímetro da unidade, também será incluída uma quinta alimentação — o padrão do Estado são quatro refeições diárias — e, em contrapartida, não será mais permitida a entrada de itens complementares pelas famílias. Os familiares não poderão mais enviar nenhum tipo de alimentação, higiene ou vestuário”, explicou o diretor.
O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, reforçou que ações como o bloqueio de sinal de celular visam impedir o contato dos detentos com facções de fora e de dentro dos presídios.
“Essa medida traz uma sensação de segurança muito maior, porque, quando você corta o contato do preso com o mundo exterior, evita que ele continue, de dentro do sistema prisional, comandando facções criminosas. Isso para nós é muito importante, pois reduz drasticamente a criminalidade”, afirmou o secretário.
Outra importante mudança anunciada foi o fim do contato físico nas visitas. A partir de agora, os encontros passam a ocorrer exclusivamente de forma virtual ou em parlatórios, com separação total entre presos e visitantes. Todas as interações serão monitoradas.
O diretor-geral da Polícia Penal esclareceu que as prerrogativas funcionais dos advogados seguem mantidas. “Não haverá acompanhamento nem gravação do atendimento dos advogados, salvo os casos que demandarem autorização judicial. Vamos mudar, sim, algumas formas de acesso, e trataremos esses pontos diretamente com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).”
De Penitenciária Regional a Unidade de Segurança Máxima
Inaugurada originalmente na década de 1990 como Penitenciária Regional de Francisco Sá (PRFS), a unidade foi projetada para descentralizar o sistema prisional mineiro, atendendo à demanda por vagas na região Norte do Estado. Localizada em um ponto estratégico próximo à BR-251, a penitenciária sempre foi referência pela arquitetura voltada ao regime fechado e pela disciplina rigorosa.
Ao longo das últimas décadas, a unidade passou por diversas reformas estruturais para aumentar sua capacidade e reforçar as barreiras contra fugas. Em 2021, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) deu os primeiros passos para elevar o nível de segurança da unidade, integrando-a ao seleto grupo de presídios mineiros que aplicam protocolos diferenciados para custódia de lideranças de organizações criminosas.
Hoje, a transformação em padrão de segurança máxima consolida Francisco Sá como uma das “trancas” mais importantes de Minas Gerais, focada na neutralização do crime organizado através do isolamento total de presos de alta periculosidade e do uso intensivo de tecnologia, como o bloqueio de sinais de radiofrequência e monitoramento digital.