Projeto de deputada propõe impedir aposentadoria como fuga disciplinar em casos de violência contra mulheres nas forças de segurança

Deputada estadual Bella Gonçalves. Foto: Marcelo Santana/ALMG

Texto apresentado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais prevê regras mais rígidas para responsabilização administrativa de agentes investigados ou condenados por violência de gênero

 

A deputada estadual Bella Gonçalves protocolou o Projeto de Lei nº 5.485/2026, que estabelece diretrizes de integridade institucional no enfrentamento à violência contra a mulher no âmbito das forças de segurança pública de Minas Gerais. A proposta busca impedir que a aposentadoria ou a transferência para a reserva remunerada sejam utilizadas como mecanismo para evitar responsabilização disciplinar.

De acordo com o texto, a medida proíbe expressamente o uso da inatividade remunerada como forma de evasão de sanções administrativas em casos que envolvam violência de gênero. O projeto também prevê mecanismos mais rigorosos de apuração e responsabilização de agentes públicos investigados ou condenados por crimes contra mulheres.

A iniciativa foi motivada pela repercussão nacional do caso de um tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, preso sob suspeita de feminicídio contra a própria esposa. Mesmo detido, o oficial foi transferido para a reserva com remuneração integral, conforme as regras atualmente vigentes, o que reacendeu o debate sobre possíveis brechas administrativas que permitem a manutenção de benefícios em situações consideradas graves.

Segundo a parlamentar, o objetivo da proposta é fortalecer a integridade das instituições de segurança pública e alinhar os procedimentos administrativos aos princípios constitucionais da moralidade e do interesse público.

“É inadmissível que o Estado permita que um agente acusado de violência extrema contra mulheres utilize mecanismos administrativos para escapar de sanções efetivas. Nosso projeto enfrenta essa distorção com firmeza”, afirmou a deputada.

Bella Gonçalves destacou ainda que a proposta pretende ampliar o compromisso do Estado no combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, promovendo mudanças estruturais nas instituições.

“Não se trata apenas de punir indivíduos, mas de transformar estruturas. O Estado precisa dar exemplo e garantir que suas instituições não reproduzam a impunidade diante da violência contra mulheres”, completou.

O projeto deve iniciar tramitação nas próximas semanas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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