Mercado ilegal de cigarros em Minas Gerais cresceu em 2025. Foto: Freepik
O mercado ilegal de cigarros avançou em Minas Gerais e já responde por quase quatro em cada dez unidades consumidas no estado. Em 2025, a participação saltou de 19% para 38%, praticamente o dobro em um ano, segundo levantamento do Ipsos-Ipec apresentado pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade. Na prática, isso significa que praticamente quatro em cada dez cigarros consumidos em Minas são ilegais.
Além do crescimento acelerado, Minas reúne diferentes frentes de ilegalidade. O estado registra aumento do contrabando e presença de fábricas clandestinas. As organizações criminosas movimentaram cerca de R$ 1,7 bilhão com o comércio ilegal de cigarros em Minas em 2025. Só em sonegação de ICMS, o prejuízo chega a R$ 686 milhões.
Minas também aparece entre os principais polos de produção ilegal do país. Nos últimos cinco anos, o estado ficou entre os três com mais fábricas clandestinas desativadas, com seis operações, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2023, liderou o ranking nacional, com 4 das 10 ações realizadas no Brasil.
Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforça o impacto na segurança pública. Segundo a pesquisa, cada aumento de 1 ponto percentual na participação do mercado ilegal de cigarros está associado, em média, a 239 homicídios dolosos por ano, além de outros crimes, como tráfico de drogas e roubo de veículos.
Presidente do FNCP, Edson Vismona afirma que o avanço está diretamente ligado à atratividade econômica do crime. “O cigarro ilegal tem alta lucratividade porque não paga imposto. Isso permite que seja vendido a um preço mais baixo, o que atrai o consumidor e amplia a demanda”, diz.
Segundo ele, o cenário combina alto retorno financeiro com baixo risco. “A legislação é frágil e a sensação de impunidade atrai cada vez mais organizações criminosas”, afirma. O problema se agrava com a expansão das fábricas clandestinas. De acordo com Vismona, o número dessas unidades dobrou nos últimos cinco anos.
“É uma vertente cada vez mais utilizada pelo crime organizado, que passa a produzir próximo dos centros de consumo, sem pagar impostos e com vantagem competitiva”, diz. O presidente do FNCP também aponta riscos ao consumidor. “É um produto fora de qualquer controle, sem seguir regras da Anvisa. Ninguém sabe o que está sendo consumido”, afirma.
Para Vismona, o avanço exige resposta coordenada do poder público. “É preciso intensificar a fiscalização, com mais recursos, tecnologia e integração entre forças policiais e órgãos de controle”, diz.