Junia Araújo investigadora e o Delegado da Polícia Civil em Bocaiúva, Theles Bustorff. Foto: Larissa Durães
A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, nesta quarta-feira (25), o principal suspeito de matar uma mulher de 36 anos no bairro Nossa Senhora Aparecida, em Bocaiúva. O caso é tratado como feminicídio e ganhou novos desdobramentos após a constatação de maus-tratos a um animal, com indícios de abuso sexual.
De acordo com o delegado Theles Bustorff, o corpo da vítima foi localizado no último sábado (21), já em avançado estado de decomposição. “O crime provavelmente ocorreu entre a noite de quinta-feira (20) e a madrugada de sexta-feira, e a motivação principal foi o ciúme possessivo”, afirmou. Segundo ele, o suspeito de 48 anos, que foi criado como irmão da vítima, mas na verdade era tio, mantinha um relacionamento com ela e fazia ameaças frequentes. “Testemunhas relataram que ele dizia que a mataria caso a encontrasse com outro homem”, disse.
As investigações apontam que, na noite do crime, vizinhos ouviram gritos de socorro e uma briga intensa dentro da residência. “Eles escutaram a vítima pedindo ajuda e chamando pelo nome do investigado, mas acreditaram que fosse mais uma discussão, já que essas situações eram recorrentes”, explicou o delegado.
O homem foi preso e confessou o crime, embora tenha alegado inicialmente legítima defesa. A versão foi descartada pela polícia com base em elementos periciais. “A vítima apresentava duas lesões graves na cabeça, que causaram traumatismo craniano. Havia sinais claros de luta corporal e extrema violência”, afirmou. No local, foram encontrados vestígios como grande quantidade de sangue e um tufo de cabelo com couro cabeludo, indicando agressões intensas.

Além do feminicídio, a ocorrência revelou uma situação de maus-tratos a uma cadela que estava sob posse do suspeito. O animal foi encontrado vivo, porém com diversos ferimentos. “A cadela apresentava lesões na região genital, nas patas e em outras partes do corpo, além de sinais de sofrimento físico”, relatou o delegado. O animal foi resgatado e encaminhado imediatamente para atendimento veterinário.
Após avaliação, o laudo confirmou que as lesões eram compatíveis com abuso sexual, além de maus-tratos prolongados. “O veterinário constatou que havia indícios claros de prática reiterada de violência contra o animal”, afirmou. A cadela segue em tratamento e sob cuidados em um abrigo temporário.
Diante da gravidade dos fatos, o suspeito também foi autuado em flagrante por maus-tratos a animais, crime que pode ter pena agravada em razão da continuidade das agressões. Segundo a polícia, ele já possui antecedentes criminais, incluindo condenação por feminicídio em 2011, na cidade de Sete Lagoas, além de registros por outros crimes.
A Polícia Civil segue com as investigações para concluir o inquérito e apurar todos os detalhes do caso.
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Divulgação/Polícia Civil
