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A segunda edição do Festival “Pelas Trilhas do Velho Chico” será realizada entre os dias 25 e 29 de março, em Montes Claros, com uma programação diversificada voltada à valorização da cultura regional e ao fortalecimento de artistas e agentes culturais do Norte de Minas e do Vale do São Francisco.
Idealizado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), por meio da Pró-Reitoria de Extensão, o evento busca ir além do entretenimento, promovendo também formação, intercâmbio de experiências e articulação cultural. A abertura oficial está marcada para esta quarta-feira, 25 de março, às 18h, com a realização do II Encontro Intermunicipal de Cultura, seguido de apresentações musicais.
A programação inclui shows, performances, teatro, oficinas, mesas de debate, mostra de canção autoral e as chamadas “Trilhas Poéticas”, que incentivam tanto a escrita quanto a performance oral. As atividades acontecem em diferentes espaços da cidade, como centros culturais, museu, mercado municipal e outros pontos estratégicos, com o objetivo de ampliar o acesso do público.
A professora da Unimontes e organizadora do festival, Nelcira Durães, explica que o evento surgiu da necessidade de criar um festival regional no Norte de Minas. “O festival nasceu dessa necessidade de ter um evento regional. Dentro da universidade, eu redigi o projeto pensando justamente nessa lacuna aqui na região”, afirmou.
Segundo ela, o nome do festival reflete a conexão cultural com o território. “A Unimontes tem polos em várias cidades do Vale Médio São Francisco, então pensamos nessas trilhas culturais do sertão. Optamos pelo Velho Chico pela sua representatividade”, destacou.
Mesmo em fase de consolidação, o festival já aponta caminhos para o fortalecimento da cultura regional. “Ele ainda é pequeno, está nascendo, mas a ideia é que se torne itinerante e que artistas e agentes culturais possam decidir os rumos do festival”, disse Nelcira.
Nesta edição, a proposta é intensificar as ações formativas. “Estamos focando mais na formação, com debates, rodas de conversa e cinco oficinas. Queremos começar a estruturar uma rede regional de cultura”, explicou. A mostra de canção autoral, por exemplo, recebeu mais de 60 inscrições, das quais 10 foram selecionadas para apresentação.
A expectativa é que o evento contribua para ampliar a visibilidade de artistas locais e consolidar o festival nos próximos anos. “Esperamos sair com propostas para uma terceira edição mais estruturada, com maior participação e um público ainda mais presente”, afirmou a organizadora.

Entre os destaques da programação está o artista Pedro Surubim, que se apresenta com a banda Surubim e os Pocomãs no dia 28, às 21h, no Corredor Cultural, atrás da Praça da Matriz. Definindo-se como “artista barranqueiro”, ele ressalta a importância de levar ao palco a musicalidade das comunidades ribeirinhas do Rio São Francisco.
“É um grande prazer participar de um festival que valoriza a cultura regional. Para nós, é o reconhecimento de uma trajetória e da missão de apresentar a musicalidade barranqueira”, afirmou. Segundo o músico, o trabalho do grupo mistura tradição e contemporaneidade. “A gente traz a cultura das barrancas, dos catopês e barqueiros, dialogando com elementos do jazz e da música pop. É o que chamamos de ‘barro beat’”, explicou.
O artista também destacou o simbolismo do nome da banda. “Surubim e os Pocomãs” são peixes do Rio São Francisco. São peixes do fundo do rio que emergem para mostrar sua força. É isso que levamos para o palco”, disse.
Para ele, o festival representa um espaço de encontro entre diferentes linguagens e gerações. “É muito significativo estar ao lado de novos compositores e também de artistas do teatro e da poesia. Isso fortalece a cultura e amplia o diálogo”, afirmou.
Ao abordar os desafios enfrentados pelos artistas da região, Surubim reforçou a necessidade de valorização da produção local. “Temos orgulho de sermos artistas do nosso território, mas muitas vezes esses talentos não são reconhecidos dentro da própria região”, pontuou.
Como exemplo, citou o músico Marku Ribas, natural de Pirapora, que já se apresentou internacionalmente. “Ele tocou em um festival de independência na Namíbia ao lado dos The Rolling Stones e ainda assim não é reconhecido como deveria aqui”, destacou.
O artista também fez um apelo pela valorização da cultura e do fazer artístico. “A arte importa, ela vale a pena. É o que nos dá vida e identidade. A gente não pode deixar a arte morrer. Precisamos mobilizar esforços para que ela continue existindo, porque ela pode transformar vidas”, e concluindo disse. “Prestigiem o Festival “Pelas Trilhas do Velho Chico”.