Foto: Well Freitas
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu o pontapé inicial, nesta quinta-feira (13/11/25), na análise do Projeto de Lei (PL) 4.380/25, proposto pelo governador Romeu Zema (Novo), que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).
O Andamento na CCJ
O presidente da comissão e relator do PL, deputado Doorgal Andrada (PRD), distribuiu seu parecer, sugerindo um substitutivo nº 1 ao texto original. Este novo texto busca promover ajustes e, segundo o relatório, “fortalecer as garantias de bom atendimento dos usuários do serviço de saneamento básico, bem como trazer proteção aos trabalhadores da Copasa.”
A discussão na CCJ só pôde começar após a aprovação definitiva da PEC 24/23, que retirou a exigência de referendo popular para a desestatização. Duas novas reuniões da comissão foram convocadas para a tarde desta quinta-feira para continuar a análise do parecer.
O projeto, que requer quórum qualificado (votos favoráveis de 48 deputados) para ser aprovado em 1º turno no Plenário, ainda precisa passar pelas comissões de Administração Pública e de Fiscalização Financeira e Orçamentária.
Os Detalhes da Proposta
O PL 4.380/25 autoriza o Estado a transferir o controle acionário da Copasa, total ou parcial, através da venda de ações ou da entrada de novos investidores.
Pontos-chave do Projeto:
- Controle e Metas: O texto mantém mecanismos que garantem ao Estado poder de veto em decisões estratégicas e asseguram o cumprimento de metas de qualidade na prestação dos serviços.
- Copanor: Autoriza a venda da Copanor, subsidiária da Copasa que atua no Norte e Nordeste de Minas.
- Destinação dos Recursos: Os recursos obtidos com a desestatização deverão ser obrigatoriamente destinados à amortização da dívida pública estadual (dentro do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados – Propag).
Substitutivo: Proteção e Universalização
O substitutivo nº 1 introduz mudanças significativas, com destaque para a proteção social e laboral.
O novo texto determina a manutenção do contrato de trabalho dos empregados do quadro permanente da Copasa por um período de 18 meses após a conclusão da desestatização.
Além disso, incorpora metas que o possível adquirente deverá cumprir, alinhadas com o Marco Legal do Saneamento:
- Universalização da água e do esgoto em todos os municípios atendidos, incluindo áreas rurais e núcleos urbanos informais.
- Aplicação da tarifa social e redução tarifária, priorizando a população mais vulnerável.
- Garantia da modicidade tarifária e melhoria da qualidade da água tratada, além da redução de perdas.
Oposição Inicia Obstrução
A reunião da CCJ foi marcada pelo início da obstrução do bloco de oposição ao governo, estratégia já utilizada em outras votações.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) iniciou a tática com questões de ordem, argumentando que o projeto não poderia tramitar sem a promulgação da PEC 24/23 e questionando a falta de estudos detalhados que comprovassem a alegação do governo de que a privatização seria a única forma de cumprir o Marco Legal do Saneamento.
O presidente Doorgal Andrada, ao negar as questões de ordem, defendeu a continuidade do processo legislativo, diferenciando referendo (consulta posterior à lei) de plebiscito (consulta prévia). O deputado Lucas Lasmar (Rede) reforçou a obstrução, apresentando requerimentos rejeitados, e reforçou o papel da minoria em “reduzir os danos do que o governador quer fazer.”