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O campus da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) foi palco, nesta quinta-feira, de um dos eventos mais marcantes do calendário institucional: o “Mulheridades em Foco”, que transformou o espaço acadêmico em um território de mobilização, afeto e resistência. A programação se estendeu pelos três turnos — manhã, tarde e noite — reunindo estudantes, professoras, servidoras e representantes de movimentos sociais em torno do fortalecimento das lutas e vozes femininas.
Caminhada pela vida e pelos direitos
As atividades começaram pela manhã com uma caminhada simbólica pelos espaços da universidade, marcada por cartazes, palavras de ordem e emoção coletiva. O ato teve como lema “Por nenhum direito a menos e pela vida das mulheridades!”, e simbolizou a união das diversas experiências e identidades femininas.
Durante o percurso, participantes destacaram a importância de divulgar e fortalecer a rede de proteção às mulheres, ainda desconhecida por muitas. Entre os serviços citados estão o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), a Ronda Patrulha Maria da Penha (RPPM), a Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (REVICOM) e o Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF).
“Cada passo foi um grito de resistência e esperança. Caminhamos unidas, das idosas às crianças, reafirmando que mobilização é força e futuro”, destacaram as organizadoras.
Arte e denúncia
À tarde, a programação seguiu com uma intervenção artística do Núcleo de Arte, Diversidade e Subjetividades (NADS), que abordou as violências enfrentadas por mulheres trans, travestis e negras. A performance emocionou o público ao propor uma reflexão sobre o alcance dessas violências também aos corpos cisgêneros.
O encerramento da tarde ficou por conta da cantora Geysi, que levou ao palco um repertório de canções que celebraram o ser e o existir com liberdade, amor e dignidade.
Noite de ancestralidade e partilha
Encerrando o evento, a noite foi marcada por momentos de ancestralidade, acolhimento e aprendizado coletivo. Palavras como Aquilombamento, Esperançar e Cuidado conduziram as falas e apresentações, destacando a coerência entre discurso, corpo e ação.
A Companhia Saruê apresentou um espetáculo que celebrou a força feminina, seguido de uma mesa-redonda com Maria Oliveira, Érika Nunes, Ana Flávia, Joaquina Nobre, Dra. Liliane e Letícia Imperatriz, que discutiram temas como empoderamento, saúde e políticas públicas para as mulheres.
Reconhecimento e compromisso
O evento contou com apoio da REVICOM, representada por Bia Inácio; do GT Acauteladas, com Daliana e Lorena; e da Unimontes, por meio do professor Marcelo Brito. Também recebeu o apoio do deputado federal Paulo Guedes.
Ao final, o “Mulheridades em Foco” deixou um recado contundente: é preciso ampliar o acesso à informação e às redes de apoio. “A geografia da exclusão ainda nos separa, e o desconhecimento desenha a geografia da injustiça. Seguimos firmes, fortalecendo laços, lutas e sonhos de todas nós”, concluiu a organização.
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