Macaúba - Foto Syngenta Digital
AMAMS e Acelen Renováveis discutem plantio de 180 mil hectares e renda de até R$ 6 mil para a agricultura familiar

O futuro da energia limpa e o desenvolvimento regional do Norte de Minas podem estar no coco de uma planta nativa do Cerrado: a macaúba.

A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (AMAMS) recebeu, na manhã desta quarta-feira (08/10), representantes da Acelen Renováveis, uma empresa com investimentos do grupo Mubadala Capital (Abu Dhabi), para discutir a implantação de um vasto projeto de cultivo da macaúba, focado na produção de biocombustível para aviação (bioquerosene).

Macaúba: De Fruto Nativo a Combustível Global

A Acelen Renováveis planeja implantar o projeto em uma área total de 180 mil hectares entre o Norte de Minas e a Bahia. Deste total, 40 mil hectares serão especificamente destinados à agricultura familiar, sinalizando um forte componente de inclusão social e geração de renda.

Em reunião na sede da AMAMS, em Montes Claros, o diretor de Relações Institucionais da Acelen, Bernardo Araújo, detalhou a ambição do grupo: construir uma biorefinaria no Recôncavo Baiano e, possivelmente, cinco unidades coletoras no Norte de Minas. Estas unidades processarão o coco da macaúba, considerada uma matéria-prima promissora para o biocombustível.

Segundo Araújo, a iniciativa busca estimular o plantio da macaúba em áreas degradadas, conciliando a fundamental preservação ambiental com a geração de renda nas comunidades.

Renda Garantida e Apoio ao Pequeno Agricultor

O grande destaque social do projeto está nas condições de adesão para os produtores da agricultura familiar. Eles poderão participar com áreas de até 10 hectares e receberão:

  • Pró-labore mensal de R$ 1,8 mil durante a fase de plantio.
  • Lucros estimados em até R$ 6 mil mensais após o início da colheita.

A Acelen garantirá todo o suporte, fornecendo as mudas, oferecendo assistência técnica e firmando um contrato de compra com garantia de 10 anos. Além disso, a empresa está em negociação com o Banco do Nordeste (BNB) para viabilizar o financiamento do custeio inicial, um ponto crucial.

O presidente da AMAMS, Ronaldo Soares Mota Dias, prefeito de São João da Lagoa, ressaltou a importância de garantir o suporte financeiro. “Sem apoio inicial, será difícil engajar a agricultura familiar, pois o custo do plantio é elevado e ainda há desconfiança devido a experiências anteriores com outras culturas,” alertou, reforçando o papel decisivo da parceria com o BNB.

Inovação, Sustentabilidade e Geração de Empregos

O cultivo da macaúba ainda poderá ser consorciado com outras culturas, como cacau e café, aumentando a rentabilidade e diversificando a produção do agricultor. A Acelen também pretende integrar o projeto com universidades como a UFMG e a Unimontes, fortalecendo a pesquisa e a sustentabilidade no campo.

Com um investimento inicial no Brasil de US$ 3 bilhões, a Acelen Renováveis tem o potencial de gerar até 85 mil empregos diretos e indiretos e movimentar cerca de R$ 40 bilhões na economia nacional até 2035. Um projeto que promete colocar o Norte de Minas no mapa da transição energética global.

Diretores da Acelen e Amams se reuniram em Montes Claros-MG – Foto: Ascom Amams

About The Author