Inflação de Montes Claros registra queda, mas coordenadora geral do IPC Moc alerta para possíveis efeitos do tarifaço dos EUA

Foto: reprodução Canva

Com o resultado, o acumulado no ano é de 4,14%, enquanto que, nos últimos 12 meses, o acumulado chega a 6,85%

A inflação em Montes Claros recuou de 0,30% em julho para 0,21% em agosto, acompanhando a tendência nacional, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Município (IPC Moc), calculado pelo Departamento de Ciências Econômicas da Unimontes. Com o resultado, o acumulado no ano chega a 4,14%, enquanto nos últimos 12 meses a inflação alcança 6,85%.

A professora Vânia Vilas Boas Vieira Lopes, coordenadora do IPC Moc, destaca que a redução de preços, principalmente em alimentos consumidos em casa, tem sido percebida desde maio. “Alguns fatores, como o período de safra, explicam a queda nos produtos alimentares, incluindo itens da cesta básica como batata, tomate, arroz, açúcar, feijão e óleo de soja”, explicou. Segundo ela, também houve retração nos grupos Vestuário e Habitação, que têm grande peso no índice, o que contribuiu para o resultado positivo de agosto.

O Grupo Alimentação, com o maior peso no orçamento doméstico (29,47%), registrou alta de 0,40%, influenciado por produtos como chuchu (48,57%), abóbora (48,51%) e banana caturra (25,45%). Em contrapartida, itens como cebola seca (-16,49%), alho (-16,28%) e tomate (-14,30%) apresentaram queda de preços.

O Grupo Vestuário, peso 5,98%, caiu 0,69%, enquanto o Grupo Habitação (peso 21,25%) subiu 0,19%, devido a aumentos em energia elétrica, aluguel e materiais de construção, mas com queda em itens como saco de lixo e fechaduras. Outros grupos, como Saúde e Cuidados Pessoais, Transportes e Comunicação, Educação e Artigos de Residência, tiveram pequenas variações que pouco impactaram o índice.

A coordenadora alerta para possíveis efeitos do recente “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor desde agosto. “Há projeção de que, a partir de setembro e outubro, possamos ter impacto inflacionário, especialmente em alimentação, eletrônicos e produtos dependentes de importação”, afirmou.

Em relação à cesta básica, os preços registraram leve alta de 0,04% em agosto. Um trabalhador local com renda bruta de R$ 1.518 utilizou 37,2% do salário para adquirir os 13 produtos que compõem a cesta, que custou R$ 564,80, restando R$ 953,20 para outras despesas como moradia, saúde, lazer e transporte.

O IPC Moc, calculado desde 1982, mede a variação de preços de bens e serviços consumidos habitualmente por famílias com renda entre um e seis salários mínimos, com base em levantamentos mensais em 400 estabelecimentos da cidade.

About The Author