Unimontes promove Sessão Cinemontes com exibição do filme “O Agente Secreto”

Foto; Larissa Durães

Evento reuniu estudantes, professores e convidados para assistir ao longa indicado ao Oscar e debater o cenário do cinema brasileiro

 

A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) promoveu, nesta quinta-feira (12), uma sessão especial e gratuita do filme O Agente Secreto, produção brasileira indicada ao Academy Awards. A atividade integrou a Sessão Cinemontes e foi realizada em parceria com a rede Cineflix Cinemas, no IBI Shopping, reunindo acadêmicos, professores e convidados da comunidade universitária.

A iniciativa foi organizada pelo curso de Cinema e Audiovisual e pelo Departamento de Artes da universidade com o objetivo de estimular a apreciação cinematográfica e ampliar reflexões sobre o audiovisual. Após a exibição do longa, os participantes participaram de uma roda de conversa para discutir aspectos da obra, como linguagem cinematográfica, contexto de produção e a relevância do filme no cenário internacional.

O evento também ocorreu em meio à expectativa pela cerimônia do Oscar, marcada para o próximo domingo (15). O filme é dirigido por Kleber Mendonça Filho e concorre em quatro categorias da premiação: Melhor Filme, Direção de Elenco, Filme Internacional e Melhor Ator. A indicação de atuação é protagonizada por Wagner Moura, que aos 49 anos se tornou o primeiro brasileiro indicado ao Oscar de Melhor Ator em 97 edições da premiação, ampliando a visibilidade do cinema nacional no cenário internacional.

Esta é a segunda vez que o curso de Cinema e Audiovisual da Unimontes promove uma sessão especial de filmes indicados ao Oscar. Em 2025, a universidade realizou uma exibição coletiva do longa Ainda Estou Aqui, que também reuniu estudantes e professores em um encontro seguido de debate.

O coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da Unimontes, Alexsânder Nakaôka Elias, destacou a importância de promover sessões de cinema dentro do ambiente universitário como forma de fortalecer a formação crítica e cultural dos estudantes. Segundo ele, o curso ainda é recente e está em processo de consolidação. “Já promovemos uma sessão semelhante e vimos que foi uma experiência que funcionou muito bem e que atraiu bastante os estudantes”, afirmou.

De acordo com o coordenador, além de proporcionar um momento de convivência entre alunos e professores, as sessões também estimulam o debate e a reflexão sobre temas abordados nos filmes. “Todo mundo gosta de cinema, ou pelo menos eu espero que goste. Então os estudantes se mobilizam para assistir à sessão e depois participam do debate. Isso cria um momento de convívio, mas também de análise e pensamento crítico sobre a obra”, ressaltou.

Alexsânder destacou ainda que muitas produções exibidas abordam temas históricos importantes para o país. “São filmes que falam de momentos marcantes da nossa história, como o período da ditadura militar, que envolveu perseguições, apagamentos e assassinatos de personagens importantes. É fundamental que a universidade promova espaços de discussão sobre esses temas, especialmente no início do curso”, explicou.

O coordenador também comentou sobre o impacto de produções recentes do cinema brasileiro que têm ganhado visibilidade internacional. Para ele, filmes como O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, ajudam a ampliar o debate sobre o audiovisual brasileiro. “É um diretor consagrado, com uma produção importante no cenário nacional, e conta com um ator de grande destaque. O filme também aborda um momento histórico difícil do Brasil, o período da ditadura, além de apresentar o Nordeste de uma forma diferente e menos estereotipada”, afirmou.

Na avaliação do professor do curso de Cinema e Audiovisual da Unimontes, Agnes Brito, o destaque recente do cinema brasileiro em premiações internacionais reflete um movimento mais amplo de valorização da produção nacional. “Há esse destaque ainda assim, eu falo do cinema brasileiro de um modo geral. Principalmente nos dois últimos anos, a gente viu também o filme ‘Ainda Estou Aqui’ recebendo prêmios e, agora, uma sequência de reconhecimentos do nosso cinema. Isso mostra uma ascensão da nossa arte aqui no Brasil”, afirmou.

Segundo o professor, observar apenas aspectos técnicos de um diretor pode limitar a compreensão do momento vivido pelo audiovisual brasileiro. “Falar exatamente de aspectos técnicos do trabalho de um diretor, de maneira isolada, pode acabar minimizando um movimento maior que está acontecendo, que é o reconhecimento do cinema brasileiro como um todo”, explicou.

Na avaliação dele, a indicação de Wagner Moura também representa um marco importante para o país. “É de fato um reconhecimento do nosso trabalho. O mundo está olhando para o que está sendo produzido aqui. Quem acompanha o cinema brasileiro sabe das dificuldades e dos desafios que existem no nosso fazer artístico”, destacou.

Para o docente, além do reconhecimento artístico, as produções brasileiras têm contribuído para ampliar o debate sobre a história e a sociedade do país. “Uma das coisas mais ricas do nosso cinema é trazer à tona aspectos históricos que muitas vezes não estão tão claros para as novas gerações. Esses filmes ajudam a reavivar a nossa memória e fazem com que os jovens tenham mais consciência sobre acontecimentos importantes da nossa própria história”, afirmou.

Ari Rodrigues, estudante de cinema e audiovisual da Unimontes. Foto: Larissa Durães.

A estudante do curso de Cinema e Audiovisual da Unimontes, Maria Fernanda Rodrigues, conhecida como Ari Rodrigues, ressaltou a importância de sessões coletivas de cinema para a formação acadêmica dos alunos. Ari afirma que assistir a produções reconhecidas internacionalmente dentro da universidade representa a realização de um sonho. “Para ser honesta, é algo com que eu meio que sonhava desde que decidi fazer o curso de cinema. A gente assiste ao filme junto com nossos colegas e depois conversa sobre ele. É muito bom poder discutir com pessoas que pensam parecido, trocar ideias e ouvir interpretações diferentes”, disse.

A estudante destacou que as discussões coletivas ampliam a compreensão das obras. “Temos colegas de idades variadas e cada um interpreta o filme de um jeito. Às vezes alguém faz uma análise mais crítica ou percebe algo que você não tinha notado. Sempre dá para aprender bastante nessas conversas”, afirmou.

Segundo Ari Rodrigues, a experiência pessoal de cada espectador influencia diretamente na forma como o filme é interpretado. “Não tem como ser totalmente imparcial quando você analisa um filme. Se você tem uma experiência pessoal ligada ao tema da história, aquilo vai te afetar de forma muito mais intensa”, explicou.

Sobre as expectativas em relação ao desempenho de produções brasileiras em premiações internacionais, a estudante avaliou que a concorrência é forte, mas acredita no potencial dos artistas nacionais. “Eu acho que o Wagner Moura está atuando muito bem e talvez tenha boas chances como melhor ator. Sobre melhor filme internacional, a disputa é sempre muito forte”, afirmou.

Aluno Gabriel Sol Wojcik. Foto: Larissa Durães

O acadêmico do terceiro período do curso de Cinema e Audiovisual da Unimontes, Gabriel Sol Wojcik, avaliou o filme O Agente Secreto como uma das produções mais marcantes do último ano e destacou o caráter político da obra. “O Agente Secreto é provavelmente o meu filme favorito do ano passado. Eu, como artista e como estudante acadêmico de cinema, valorizo muito a arte política”, afirmou.

Segundo ele, o longa se destaca por abordar um período complexo da história brasileira. “Esse filme é muito político porque retrata um período muito complicado da história do nosso país. Ele dialoga muito com o que a gente está passando agora também”, disse.

Gabriel ressaltou ainda que o filme apresenta uma abordagem diferente ao tratar da ditadura. “É um filme sobre a ditadura cívico-empresarial-militar no Brasil. E é um filme que não fala sobre militares. O vilão do filme é o empresário. Não é um general, não é um soldado”, comentou.

O estudante também elogiou o trabalho do diretor Kleber Mendonça Filho e a forma como a narrativa é construída. “É um filme com muitas nuances, que não é *verborrágico. Ele fala através da imagem. O texto é sensacional”, afirmou.

Sobre as chances de premiação no Oscar, Gabriel acredita que o filme pode se destacar na categoria de melhor filme internacional. “Eu acho muito difícil justamente pela estrutura que o Oscar mantém, porque é uma premiação americana. Mas acredito que ‘O Agente Secreto’ pode levar o prêmio de melhor filme internacional porque é mais interessante que as outras opções”, avaliou.

Ele também comentou a atuação de Wagner Moura, considerada por ele como uma das melhores do ano. “Para mim é a melhor atuação do ano, mas acho difícil pelos moldes da indústria”, disse.

Por outro lado, o estudante demonstrou expectativa em relação à categoria de melhor elenco. “Tenho bastante esperança na categoria de melhor elenco, que aparece pela primeira vez. A gente chega muito forte porque é um filme que trabalha muito em cima dos personagens e das pessoas que o compõem”, concluiu.

*verborrágico: vem do latim e significa “abundância de palavras com poucas ideias.”

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