Operação “Carga Mista”. Foto: Larissa Durães
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou, nesta terça-feira (10), os resultados da Operação “Carga Mista”, deflagrada no distrito de Barracão, no município de Grão Mogol, no Norte de Minas. A ação teve como objetivo investigar a atuação de indivíduos suspeitos de envolvimento em roubos de cargas na BR-251, além de crimes relacionados ao tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo e receptação.
Até o momento, seis pessoas foram presas durante a operação. Também foram apreendidos entorpecentes e materiais provenientes de crimes patrimoniais, possivelmente ligados a cargas roubadas. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão expedidos pelo Poder Judiciário após representação da Polícia Civil durante o curso das investigações.
O delegado Cezar Salgueiro, da Delegacia de Investigações Especiais, explicou que as apurações começaram após uma série de ocorrências registradas na região. “Essa investigação foi iniciada pela delegacia de Grão Mogol, com troca de informações com a Delegacia de Investigações Especiais. Tomou-se conhecimento de que, ao longo do último ano, reiteradas ocorrências de roubo de cargas, furtos e saques de caminhões tombados estavam ocorrendo no perímetro do distrito de Barracão, na BR-251”, afirmou.
Segundo o delegado, as investigações identificaram suspeitos que estariam diretamente envolvidos nos crimes e até anunciavam produtos roubados nas redes sociais. “Chegamos ao nome de algumas lideranças e partícipes que anunciavam essas cargas roubadas. Conseguimos entender que, além dessa organização voltada ao roubo e ao furto de cargas, havia também tráfico de drogas em alguns desses pontos de armazenamento”, explicou.
De acordo com Salgueiro, o grupo atuava de diferentes formas. Em alguns casos, os crimes eram planejados a partir de monitoramento das cargas que trafegavam pela rodovia; em outros, os suspeitos se aproveitavam de acidentes com caminhões para saquear as mercadorias. “Existia um monitoramento na rede de inteligência dessa organização sobre as cargas que passariam pela região. Outras quadrilhas, inclusive de outros estados, utilizavam essas informações para cometer os roubos. Quando ocorriam acidentes, que são frequentes na BR-251, havia o saque da carga e posterior comercialização desses produtos”, relatou.
O delegado também destacou que o grupo utilizava violência nas ações de roubo. “O modus operandi era uma ação rápida, muitas vezes com uso de armas de fogo. Em alguns casos havia disparos, e os motoristas eram amordaçados e deixados em locais onde não tinham acesso a celular”, disse.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam diversos materiais que podem ajudar a esclarecer os crimes. “Além de um vasto material relacionado aos roubos, encontramos substâncias entorpecentes, análogas à cocaína, pasta base, maconha e também armas de fogo”, afirmou o delegado.
As investigações apontam ainda que alguns suspeitos utilizavam as próprias residências como depósito para guardar mercadorias furtadas ou roubadas. “Inicialmente, eles deverão responder por imputações preliminares relacionadas a furto e receptação. Muitos estavam utilizando suas casas como depósitos de materiais provenientes desses crimes”, explicou Salgueiro, ressaltando que as tipificações podem mudar conforme o avanço das apurações.
Para a Polícia Civil, combater a receptação é essencial para reduzir esse tipo de crime. “Quando não combatemos a receptação, o problema continua. Muitas pessoas compram produtos sem origem comprovada, às vezes sabendo que não têm procedência, e isso alimenta o ciclo da criminalidade”, destacou o delegado.
Mais de dez ocorrências relacionadas ao mesmo tipo de crime foram registradas na região desde o mês passado, segundo a investigação. A troca de informações entre as forças de segurança também tem sido fundamental para avançar nas apurações.
Os próximos passos da investigação incluem a análise dos celulares apreendidos durante a operação. “Esses aparelhos vão demonstrar a efetiva participação de cada um e ajudar a entender melhor como essa organização criminosa trabalhava”, explicou Salgueiro.
Sobre a situação dos presos, o delegado afirmou que o tempo de detenção dependerá da decisão judicial após audiência de custódia. “Primeiro ocorre a ratificação do flagrante pela delegacia competente e, posteriormente, a audiência de custódia vai decidir se haverá conversão da prisão em flagrante para preventiva. A preventiva não tem prazo determinado, podendo durar até o final das investigações”, afirmou.
A Polícia Civil também investiga possíveis conexões da quadrilha com criminosos de outros estados. “Há indícios de envolvimento de organizações da região Nordeste, possivelmente com atuação em diferentes estados”, concluiu o delegado.
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